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A vergonha do aborto gratuito

por João Miguel Tavares, em 13.02.14

No meu texto de hoje do Público falo sobre a questão do aborto e o absurdo da sua equiparação, em termos de privilégios, a uma gravidez. Para ler aqui.

 

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De AC a 14.02.2014 às 16:18

Começo dizendo que sou contra o aborto, mas votei a favor de.
Sou contra tudo que impossibilita uma vida. 'Sou'. Eu, as minhas crenças ou moral ou forma de pensar (chamem-lhe o quiserem). Mas mais do que isso, sou contra os que são contra as moralidades dos outros, desrespeitando desta forma, em certa medida e desde logo, o outro.
É certo que, neste país, existe ainda - assim espero, muita falta de informação. Se me disserem que possa existir (usando um lugar comum) gente das aldeias que não tem acesso (físico ou mental) à pílula ou outros métodos anticoncepcionais, eu diria que sim. Acontece que esta 'gente', dificilmente terá acesso (também do foro do que é físico ou mental) ao aborto. Não são as 'Marias' que, geralmente, recorrem ao aborto. São as Rosarinhos. É verdade. E não será apenas por falta de acesso mas antes, por amor à vida. Uma forma mais simples de pensamento é, muitas das vezes, mais certeira e respeitadora.
Não me parece certo mandar no corpo dos outros. Mas mais que isso, não me parece certo mandar na cabeça do outro. Que eu pense que estou a mandar no corpo de dois, aí a história já é outra. Podia fugir a tudo que é premissa e enveredar pelo caminho que o outro - o mais pequeno e que está dentro do primeiro - não tem direito à escolha. Não vou por aqui, eu apenas quero mandar em mim.
Mas se me disserem que ando a pagar impostos para desresponsabilizar mulheres, ou raparigas, é ai que a porca torce o rabo. É exactamente isso que o Estado consegue ao pagar o aborto: desresponsabilizar. Hoje em dia somos cada vez menos responsáveis pelos nossos actos. Parece-me ser este o ponto mais importante nesta questão.
Parece-me justo (ainda que não me pareça certo) que uma mulher, se assim desejar, se possa dirigir a uma Maternidade para tal efeito. O que não me parece justo é que ela tenha os mesmos direitos que as grávidas, uma vez que de responsabilidades ela teve zero. Já que o Estado apoie os abortos espontâneos, e os casos que já apoiava antes, parece-me justo. Mas isto de ter férias à pala já é outra história. Assim como o acesso ao aborto sem taxas moderadoras.
Acontece que quem quer ter acesso à pílula ou ao preservativo de uma forma gratuita apenas tem que se dirigir a uma Maternidade. Não há aqui desculpas, portanto. As consultas de planeamento familiares são gratuitas, aliás como os tratamentos de PMA também o são desde finais de 2009 (à excepção da medicação, que mesmo com comparticipação do Estado, continua a ser pesada). Nas PMA limitam ao número três a hipótese de tentativas. No entanto, não há limite de abortos. Falo com conhecimento de causa, do primeiro caso, infelizmente. Mas a verdade é que até compreendo que haja um limite. Três tentativas são suficientes para perceber qual o motivo das causas de infertilidade. O que acontece depois? Seria maravilhoso o Estado poder patrocinar-nos mais tentativas? Seria. Como também seria maravilhoso que o Estado pudesse patrocinar todos os velhinhos que dependem dos Bombeiros para se deslocarem a um hospital. Acredito mais num Estado que dê primazia aos vivos do que aos que estão para nascer. Infelizmente existe uma necessidade de opção.
Quando me dizem que uma mulher tem direito a não sei quantos dias por ter abortado gratuitamente (não vou desenvolver a palavra gratuitamente...) eu digo: depois de muito ter lutado, em hospitais vários e por anos também vários, para ter um filho, quando finalmente consegui moedinhas suficientes no garrafão, dirigi-me a uma clínica privada e engravidei. Abortei, espontaneamente. Posso dizer que apenas precisei de 5 dias para me refazer fisicamente.
Psicologicamente? Tenho a sorte de ter trabalho; a vida não anda connosco ao colo. Nem tal seria meu desejo. Somos um país de ideias e actos fast-food. Aprendemos a ter acesso a demasiadas coisas sem o esforço que seria necessário aos nossos pais e avós. Conseguimos, com isso, deixar de dar valor ao que realmente importa.
Já minha mãe dizia: sem liberdade não há responsabilidade. Mas também: sem responsabilidade não há liberdade.
Caro JMT, acha mesmo que o Estado não se devia meter nisso?

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