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A vergonha do aborto gratuito

por João Miguel Tavares, em 13.02.14

No meu texto de hoje do Público falo sobre a questão do aborto e o absurdo da sua equiparação, em termos de privilégios, a uma gravidez. Para ler aqui.

 

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6 comentários

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De Teresa Pinho a 13.02.2014 às 15:52

O João Miguel Tavares não acha que, se o Estado tivesse liberalizado mas não praticasse a intervenção gratuitamente no serviço nacional de saúde, as mulheres sem recursos que quisessem abortar continuariam a ter de recorrer às abortadeiras de vão de escadas e só as mulheres que antes da liberalização podiam ir a Badajoz teriam condições para fazer um aborto nas condições de higiene e segurança necessárias?
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De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 16:20

Mas porque é que toda a gente ignora a minha proposta sobre a sociedade civil pró-escolha se organizar para patrocinar os abortos a quem não pode pagar?
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De Teresa a 13.02.2014 às 16:50

Como não respondeu à minha pergunta e preferiu fugir com outra pergunta, vou assumir que a sua resposta seria sim.

A sua proposta sobre a sociedade civil pró-escolha se organizar para patrocinar os abortos a quem não pode pagar é, a meu ver, inexequível. Para além disso, acho até um pouco amoral essa ideia de que os nossos impostos devem pagar serviços de saúde apenas em circunstâncias de acordo com os nossos princípios. A lógica por detrás da introdução desse tipo de facciosismo no acesso a cuidados médicos legitimaria também que, por exemplo, se pedisse à sociedade civil fumadora (ou pró-fumadores) que se organizasse para patrocinar o tratamento de um cancro do pulmão a um doente que não o pudesse pagar.
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De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 16:58

Não, Teresa. Mil vezes não. Eu consigo perceber o argumento do inexequível, no sentido em que nesta terra o pessoal só se sabe associar para jogar à bola. Mas evite, por favor, as comparações com fumadores e cancros e não sei quê. O meu texto parte de uma premissa claríssima, que está logo na primeira linha: o aborto é diferente de tudo o resto. Obviamente, essa premissa não tem de ser aceite. Mas não vale a pena rebater os meus argumentos como se essa premissa não existisse.
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De Teresa a 13.02.2014 às 21:43

Mas então o João Miguel Tavares não acha que, se o Estado tivesse liberalizado mas não praticasse a intervenção gratuitamente no serviço nacional de saúde, as mulheres sem recursos que quisessem abortar continuariam a ter de recorrer às abortadeiras de vão de escadas e só as mulheres que antes da liberalização podiam ir a Badajoz teriam condições para fazer um aborto nas condições de higiene e segurança necessárias, certo?

Por favor, explique de que forma a sua sugestão dos patrocínios seria exequível. Não me ocorre nenhuma (quer recorrendo ao serviço público que seria posteriormente reembolsado pela tal organização, quer criando uma rede privada administrada pela tal organização), sobretudo tendo em conta que a descoberta da gravidez indesejada, a tomada de decisão sobre a interrupção da mesma, o pedido de intervenção, a confirmação de que não a podia pagar e a própria intervenção não poderiam ocorrer após 10 da concepção.

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De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 22:12

Cara Teresa, como certamente saberá, existem clínicas especializadas em abortos em Portugal. Bastaria criar uma associação, uma fundação, o que fosse - que até poderia ser parcialmente subsidiada pelos impostos de quem é pró-escolha - destinada a apoiar a minoria de mulheres (e deixe-me sublinhar aqui o minoria) que não pudessem pagar o valor da operação. Era mais incómodo para as mulheres? Era. Era mais difícil o Estado controlar o número de abortos? Era. Mas tudo isto só faz sentido para quem reconhece a especificidade do aborto e a legitimidade de quem entende que abortar é um crime. Se nada disto for reconhecido, é óbvio que para essas pessoas a minha proposta é um absurdo e não tem interesse nenhum (ver resposta minha acima, ao LA-C).

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