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A vergonha do aborto gratuito

por João Miguel Tavares, em 13.02.14

No meu texto de hoje do Público falo sobre a questão do aborto e o absurdo da sua equiparação, em termos de privilégios, a uma gravidez. Para ler aqui.

 

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2 comentários

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De Anónimo a 13.02.2014 às 23:05

Sou mulher e, permitam-me o esclarecimento prévio que entendo ser necessário para o assunto em discussão: sou agnóstica. No referendo votei "não". O meu "não" não tem a ver com questões religiosas, pelo explicitado previamente, mas sim com momento a partir do qual considero existir vida - para mim, esse momento é a concepção. Nunca me revi, nem me revejo, na premissa de que, sendo mulher, posso abortar por minha opção porque sou dona do meu corpo. Aqui, também ficam aniquiladas razões políticas porque eu simpatizante à esquerda e não concordo de todo com o argumento de que "é o meu corpo, é a minha escolha". É verdade: sou dona do meu corpo e, por isso, devo fazer uso dele com responsabilidade.
Respeito profundamente as mulheres que, efectivamente, se viram obrigadas a recorrer ao aborto em algum momento das suas vidas mas abomino as que tomam essa opção de ânimo leve. Sim, ponho a mão nesta ferida porque essas mulheres existem: conheci duas. Ex-colegas de trabalho, mulheres de carreira, ambiciosas e etc e tal, que admitiram, na primeira pessoa, que já tinham abortado porque "não podiam dar-se ao luxo de ter filhos". Dito desta forma. Crúa. Assim, tal e qual, à hora de almoço, depois de se discutir qual a melhor esteticista ali por perto do escritório, alguém se lembrou do referendo que estava para vir. Isto foi em 2006.
As razões destas duas mulheres iam todas bater às ambições profissionais. Para elas, naquela altura, a despenalização, poupava-lhes dinheiro, dias de férias e era mais cómodo. Lembro-me de lhes perguntar, ingénua e incrédula com o que estava a ouvir, por que razão tiveram de abortar (pelo que percebi na altura, pelo menos uma delas, tinha abortado duas vezes), quando existem tantos meios disponíveis para evitar uma gravidez não desejada. A reacção foi de risos escancarados e perguntaram-me se eu nunca tinha tido uma one night stand". Desculpem o impropério, mas porra ! Estamos a falar de mulheres, nos seus 30 anos, com formação superior, quadros superiores numa empresa de TI!
Naquela altura, para além das minhas convicções sobre o aborto, estava a viver um período muito doloroso da minha vida porque estávamos a tentar engravidar há anos, sem sucesso. Naquela altura (fiz tratamentos entre 2004 e 2006), a reprodução medicamente assistida RMA ) só era possível no privado e os medicamentos não eram comparticipados. Gastámos milhares de euros para conseguirmos a gravidez tão desejada. Não me arrependo de nenhum cêntimo gasto nessa altura. Mas tivemos de fazer opções. Entre outras coisas, deixamos de viajar e o sonho de mudar para uma casa maior foi adiado ad eternum .
Quando a lei foi aprovada senti uma injustiça profunda porque, a partir daí, aquelas mulheres que abortam porque não lhes dá jeito nenhum ter filhos mas a quem uma one night stand" até pode vir mesmo a calhar, passaram a fazê-lo nos mesmos hospitais públicos onde me eram negados tratamentos de RMA .
Actualmente, é possível fazer até três tratamentos de RMA nos hospitais públicos portugueses, sujeitos a taxas moderadoras, e os medicamentos já são comparticipados. Não fica tão caro, se falarmos em valores absolutos, mas na época que vivemos não fica nada barato. Posso garantir. Um casal infértil pode precisar de mais de três tratamentos até conseguir uma gravidez bem sucessida mas o SNS veda todas as possibilidades depois da 3ª tentativa sem sucesso. Que eu tenha conhecimento, uma mulher pode abortar, por sua livre vontade, (quase) sem limites e de forma gratuita no SNS. Espero, sinceramente, estar errada nesta afirmação mas parece-me que não há limitações tão rígidas como as que são impostas a casais inférteis que querem, muito!, ter um filho. Alguém consegue explicar-me isto?
Admito que a minha posição sobre o aborto se tenha "extremado" depois daquele almoço (ainda mais naquela altura da minha vida pessoal) e daquela descontracção às claras de quem já o tinha praticado porque não lhe dava jeito nenhum ter filhos. Repito: respeito imenso as mulheres que já tiveram e têm de o fazer porque a vida não lhes dá outra alternativa, mas não podemos ignorar que há outras mulheres que vêem o aborto como uma solução conveniente. Infelizmente há e choca-me que estas tipas (para não dizer outra coisa!) tenham direito de o fazer no SNS de forma gratuita.
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De Sílvia a 21.08.2014 às 21:02

Não és ninguém para julgar os outros! Se queres ter filhos, não significa que os outros tb queiram! As pessoas do "Não" acham, que por serem contra, mais ninguém pode fazer! Metam-se na vossa vida. Que hipocrisia! O aborto existirá sempre, seja ele legal ou não! Então que tenham condições para o fazer quem por ele opta, independentemente do motivo. Nunca consegui concordar com as pessoas do Não! São cegonhas que metem a cabeça na areia.

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