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A alma Peneda

por João Miguel Tavares, em 12.06.14

Um texto sobre o gigantesco e ofensivo vácuo que têm sido as intervenções de Silva Peneda no 10 de Junho. Para ler aqui.

 

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O pessoal da Sapo pediu-me com voz fofinha: "João, escreves um texto sobre os santos populares?" E eu: "Mas eu não percebo nada de santos populares." E a Sapo: "Vá lá." E eu: "A sério, nunca na minha vida comemorei o Santo António." E a Sapo: "Vá lá." E eu: "Eh pá, só se for um roteiro para quem quiser comemorar os santos mas sem se dar ao trabalho de sair de casa." E a Sapo: "OK."

 

Ouçam, eu não tenho nada contra o Santo António. Aprecio muito a sua magnífica tonsura, o bebezinho ao colo e a sua fama de casamenteiro. Sou é um bocadinho agorafóbico, e partilhar cada metro quadrado de Alfama com toda uma equipa de rugby, suplentes incluídos, só para conseguir atingir o rabo de uma sardinha assada, é uma coisa que não me assiste. Até porque o próprio Santo António de Pádua (perdão, de Lisboa) escreveu um sermão intitulado "Na solidão encontrarás o Senhor". Reparem bem: "na solidão", não "na confusão".

 

Portanto, a primeira coisa que há a fazer para garantir um Santo António sem confusões, e mais próximo do Senhor, é arranjar sardinhas para degustar em casa. Podemos, desde logo, fazê-lo ao som do clássico "Chama o António", de Toy, que santos sem música não são santos. Isto é pimba em contexto disco sound, ainda por cima com incrível teledisco a acompanhar. Em resumo, uma maravilha.

 

 

Bom, depois de chamar o António, ou até mesmo enquanto se chama o António, uma óptima ideia seria chamar também a equipa do Sea Me para produzir um sushizinho à maneira. Eles têm uma oferta perfeita para a quadra: niguiris de sardinha em flor de sal. Eu já provei, precisamente num Santo António, e posso garantir que isto, sim, é comer sardinhas em grande estilo.

 

 

Aliás, na edição desta semana da Time Out há várias sugestões de pratos alternativos feitos com sardinha (incluindo uma pizza de sardinha da Pizza a Pezzi), que vão muito para além de colocar o peixe falecido em cima de uma boa brasa. Espreitem só como aperitivo, e depois vão comprar a revista:

 

 

Mas regressemos à música, que ela nunca pode parar.

 

Para acompanhar a comida, bem dentro do espírito antonino, o que não falta são marchas a preceito e fados com referências à noite lisboeta mais longa do ano. Amália cantou abundantemente o Santo António, e recordo que no primeiro disco de Carminho há uma magnífica versão do clássico "Marcha de Alfama". Até Maria Bethânia tem uma versão deslumbrante de "Santo Antônio" (assim mesmo, com chapelinho no "o") no álbum Brasileirinho.

 

 

Mas deixemo-nos de finuras. O Bruno Nogueira acabou de lançar a versão em disco do seu espectáculo Deixem o Pimba em Paz, uma excelentíssima homenagem a essa grande arte nacional do trocadilho badalhoco. Colocá-lo no leitor de CDs não seria nada má ideia.

 

 

Um dos pináculos do disco é a grande interpretação de Bruno Nogueira do clássico de Leonel Nunes "Porque Não Tem Talo o Nabo", que contém algumas das mais habilidosas rimas da história da poesia nacional. Degustem, por favor:

 

E porque a couve tem talo

E o bacalhau tem rabo

Se o feijão verde tem fio

Porque não tem talo o nabo

 

Se a banana tem cacho

Toda a uva tem que tê-lo

Já pensei muitas vezes

Porque não tem talo o grelo

 

Reparem no notável esforço para encontrar uma rima para a palavra "grelo", o que obrigou a uma extraordinária pirueta sintáctica envolvendo o verbo "ter". Grande Carla Nunes, autora da música e da letra. A versão original é de Leonel Nunes. Cá está ela:

 

 

Depois deste altíssimo momento, e como já estamos no domínio da agricultura, é preciso resolver o problema do manjerico. Também para isso não é preciso sair à rua para arranjar vasos: basta plantar manjerico numa horta biológica como aquela que eu cá tenho em casa. Se quer saber como é que isso se faz - a plantação do manjerico, não a horta biológica -, é só ir aqui. É possível que depois lhe apareça tanta mosca da fruta como a mim, mas se for só por uma noite, a coisa aguenta-se.

 

 

Tendo nós garantido a sardinha e o manjerico, falta apenas prolongar a festa pela noite dentro.

 

Uma hipótese seria ver, em homenagem ao santo, o velho Santo na televisão, ainda que as parecenças de Roger Moore com o Santo António não sejam grandes:

 

 

Outra é não deixar o pimba em paz, e acabar a noite ao som do sempre eterno Quim Barreiros, que, como é óbvio, nunca pode faltar.

 

 

Qualquer que seja a opção, a festa estará sempre garantida.

 

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Menos igualdade, se faz favor

por João Miguel Tavares, em 11.06.14

Ontem, no Público, procurei desmontar o argumento daqueles que dizem que não vale a pena mudar a Constituição porque os orçamentos de Estado estão a ser chumbados com base em princípios inamovíveis. Para ler aqui.

 

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Aclare-se o regime

por João Miguel Tavares, em 05.06.14

Hoje, no Público, escrevo sobre as aventuras no país das tretas. Para ler aqui.

 

 

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As fotografias de Arthur S. Mole

por João Miguel Tavares, em 03.06.14

O Metropolitan disponibilizou online um acervo de centenas de milhares de imagens, boa parte delas em alta definição, que podem ser utilizadas e descarregadas para fins não comerciais. Numa das notícias que li a propósito deste tema, surgiu esta impressionante fotografia de 1918 de Arthur S. Mole, intitulada "Sincerely Yours, Woodrow Wilson". Façam o favor de a ampliar.

 

 

Mole notabilizou-se, por alturas da Primeira Guerra Mundial, devido a estas imagens monumentais, de homenagem aos símbolos da pátria, realizadas em campos do exército americano e envolvendo milhares de soldados e oficiais. Só para este tributo ao presidente americano foram necessários 21 mil militares. Longe estavam os tempos do Photoshop.

 

Eis mais um par de imagens inacreditáveis de Arthur S. Mole, entre as quais a sua famosoa estátua da Liberdade:

 

 

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O Verão Quente de 2014

por João Miguel Tavares, em 03.06.14

Hoje, no Público, escrevo sobre a confusão que anda pelo país e acerca dos momentos divertidos que se avizinham. Para ler aqui.

 

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Podemos gostar mais de Jessie J do que de Justin Timberlake?

por João Miguel Tavares, em 02.06.14

Foi curioso ver Jessie J e Justin Timberlake em sequência na última noite do Rock in Rio, desde logo porque a primeira fez tão grandes e tão numerosas declarações de amor ao segundo durante a sua actuação (disse que ele foi fundamental na sua carreira quando afirmou que ela era "uma das melhores cantoras do mundo" e informou no final que ia só trocar de roupa para se juntar à plateia) que, se eu fosse mulher do Justino Lago dos Madeiros, teria ficado com ciúmes. Até porque Jessie J tem dos melhores pares de pernas da pop internacional, e fartou-se de as exibir, como se pode verificar:

 

© Agência Zero 

 

Mas o mais curioso não foi isso - foi a atitude de cada um. Jessie J tem dois discos muito bem sucedidos e um público fiel (houve um tipo com barba a chorar desalmadamente na plateia só porque ela cantou a olhar para ele), mas ainda anda a fazer pela vida. Não é uma estrela de plástico: apesar de ainda só ter 26 anos, começou a carreira como compositora de gente com Miley Cyrus, até se decidir subir a um palco em nome próprio.

 

E como não é ainda grande-grande mas apenas semi-grande, põe tudo o que tem nos seus concertos, apesar dos seus problemas cardíacos. E o seu "tudo" vai muito para além do groove da irresistível "Price Tag", com o "Money/ Money/ Money" cantado em coro por perto de 80 mil pessoas na Bela Vista (ela repetiu as palavras de Lorde ao dizer que aquele era provavelmente o mais espectáculo da sua carreira). Não, ela não tem pinta de one hit wonder, e a maneira como se fez à vida no Rock in Rio obriga a que os nossos olhos não a larguem. E não é só por causa das pernas.

 

Acerca das pernas de Justino Lago dos Madeiros não há muito a dizer, porque ele nunca tirou as calças - afinal, o palco da Bela Vista não é um filme de Hollywood. Mas a grande diferença dele para Jessie J não é só o tamanho da carreira nem o número de êxitos: é que ele dá por adquirido aquilo que ela acha que ainda tem por conquistar. Ou seja, Justin Timberlake é bom e sabe que é bom, e essa consciencialização acarreta o risco do espectáculo programado a régua e esquadro, com as falas certas nos sítios certos, os impecáveis passos de dança, a roupinha à maneira, os "JT" espalhados por instrumentos e cenários, tudo tão certo como um relógio de cuco feito na Suíça.

 

© Agência Zero 

 

Foi um belo espetáculo, claro, mas dentro do género 86-60-86. Para quem prefere o registo girl next door (olhem para mim a levantar o braço) soube um bocadinho a pouco. Não por ter sido mediano, porque não foi, não por ele ter falhado algum dos seus clássicos, porque não falhou, não porque os Tennesse Kids não sejam uma banda de suporte do caraças, porque são, mas por ter sido tudo tão bonitinho e previsível.

 

Justin Timberlake é um bom dançarino sem ser um extraordinário dançarino, é um bom cantor sem ser um extraordinário cantor, é um bom instrumentista sem ser um extraordinário instrumentista, é um bom compositor sem ser um extraordinário compositor, é um bom actor sem ser um extraordinário actor, mas é extraordinário pela versatilidade que demonstra, e nisso é um caso raro de renascentismo pós-moderno, já que a sua influência se estende da música ao cinema, da tequilha à roupa, da restauração ao golfe.

 

Em resumo, o homem é muitíssimo digno de admiração e pôs de pé um espectáculo impecável, que fechou o Rock in Rio com chave de ouro. Mas como eu gosto muito de ver as marcas das unhas no concertos de quem ainda faz por trepar na vida, Jessie J tocou-me mais no coração do que o sobredotado americano por quem ela, e 99,89% das mulheres presentes no recinto, se derretem perdidamente (só a minha é que não). Claro está que isto pode ser só ciúmes. E pernas. Não esquecer as pernas.

 

 © Agência Zero

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Solução 1: Apoiar a constituição de mega-bandas como os Arcade Fire, para atacar a tragédia do desemprego. Ora cá está a solução oriunda do Quebeque, que foi apresentado no Rock in Rio na noite de ontem. Bastariam duas ou três bandas como os Arcade Fire para o desemprego jovem cair a pique em Portugal. É possível que a própria juventude do Canadá estivesse perdida na procrastinação quando Win Butler resolveu fundar os Arcade Fire em 2001. Graças à generosidade desse gesto, foram contratados cerca de 843 músicos para subirem ao palco, soprando, teclando, riffando ou martelando em tudo o que possa produzir som.

 

A esses 843 músicos juntam-se outros tantos nos bastidores, porque só o põe-guitarra-tira-guitarra-troca-guitarra dá uma trabalheira do caraças. Além disso, há os gajos que fazem de cabeçudos émulos da banda (para quem desconhece, é assistir aos telediscos da banda realizados por Anton Corbijn ou Roman Coppola), mais outros vestidos de esqueletos ou de vidrinhos brilhantes, isto já para não falar nos trabalhos indirectos criados, como seja os fabricantes de bombos e tambores, que têm de estar sempre a substituir material - isto porque o desvairado William Butler (maninho de Win) lança instrumentos de percussão a quatro metros de altura, que caem depois com grande estrondo no chão. Faz parte do espectáculo.

 

© Agência Zero 

 

A consequência desta avalanche de gente e de material sonoro (dá ideia de que quem toca menos do que cinco instrumentos não tem lugar na banda) é que os Arcade Fire são o cumprir do sonho húmido do velho Phil Spector - isto é a "wall of sound" por excelência. E então quando os 843 gajos se apanham ao vivo com 40 mil pessoas pela frente, o resultado é um dos melhores espectáculos do Rock in Rio, que só não é mesmo "o" melhor espectáculo porque é preciso respeitar os bisavôs pedrados (também conhecidos como Rolling Stones) e porque a banda de Montreal arrancou com tal pujança que depois não foi capaz de manter o mesmo ritmo até final.

 

Quando o concerto ia na meia hora, eu estava a achar que aquilo ia entrar directamente para o meu top 10 existencial - mas mesmo que o gás se tenha perdido um pouco na última metade, os Arcade Fire são das coisas mais estimulantes que se podem ver hoje em dia, uma cornucópia sonora digna de ourives minhoto. Não é fácil pôr tanta gente a fazer tantas coisas boas, como camadas sonoras em cima de camadas sonoras, sem que tal nunca resulte em empastelanço. Eles são imaginativos. Eles são virtuosos. Eles combatem o desemprego. Um luxo.

 

Solução 2: Ser poupadinho como Lorde. A miúda neo-zelandesa de 17 anos acerca da qual toda a gente pergunta "17 anos?, a sério?", fez-se acompanhar no Rock in Rio de um senhor nas teclas e de outro na bateria, uma tal poupança de meios que a jovem que venceu o Grammy de Melhor Canção de 2013 graças a "Royals" deveria ser condecorada pelo FMI. Isto, sim, é austeridade musical que não impede o crescimento.

 

Claro que também há uma dose enorme de lata. Porquê lata? Porque apresentar-se num concerto ao vivo desta dimensão praticamente sem banda de suporte exige uma coragem desmedida e uma fé infinita nas suas qualidades musicias. Poderia ser também apenas inconsciência, não fosse a miúda ter pinta de ter muito juizinho - não, Lorde não vai ser daqueles Britney ou daquelas Miley que quando chegam aos 20 anos são colonizadas pelas hormonas e começam a deitar a roupa fora. Há ali muito miolo.

 

© Agência Zero

 

E cabelo, muito cabelo, que ela foi chicoteando ao longo de pouco mais de uma hora, à medida que deitava cá para fora as suas canções atmosféricas, suavemente electrónicas, uma soft pop lânguida mas muito atraente. Além da pergunta "só 17?" talvez valha a pena juntar a pergunta "neozelandesa?", porque isto nada tem a ver com a imagem da Nova Zelândia das ovelhas e das paisagens de O Senhor dos Anéis.

 

A menina é uma cidadã do mundo, que agora tivemos a sorte de ver em Portugal, e que tem tudo para vir a ter uma mui séria carreira, que se estenda muito para lá dos royalties de "Royals". E o prazer, ao que parece, foi mútuo: Lorde (nome verdadeiro: Ella Marija Lani Yelich-O'Connor) admitiu que o concerto de ontem terá sido o maior da sua vida, e no final estava realmente emocionada com o acolhimento, garantindo que nunca esquecerá Lisboa. Provavelmente ela diz isso em todo o lado, mas aqui pareceu verdadeira. A austeridade, afinal, compensa. 

 

Não-solução 3. Uma iniciativa bem-intencionada não é sinónimo de uma iniciativa eficaz. O tributo a António Variações era das coisas que eu aguardava com mais expectativa e que mais queria ver no Rock in Rio. Eu sou dos que adora Variações e dos que acha que os seus dois únicos álbuns permanecem com marcos inultrapassados da pop portuguesa. Não é preciso estar com grandes argumentos: basta ver como as suas canções continuam vivas e frescas mais de 30 anos após terem sido compostas, ou como o projecto Humanos transformou, há uma década, um conjunto de canções inéditas suas em mais um disco incontornável da música portuguesa.

 

 © Agência Zero

 

A ideia de homenagear Variações no ano em que se assinalam os 70 anos do seu nascimento e os 30 da sua morte fazia todo o sentido, e nada há a apontar aos três primeiros convidados para o tributo: Gisela João (com um vestido dourado resplandecente que àquela hora da tarde a fazia parecer a Senhor Mais Brilhante do que o Sol), os Linda Martini e os Deolinda são tudo gente de estilos diferentes, mas também tudo gente consistente, que sabe o que faz. Mesmo sem deslumbrar deram conta do recado, com destaque para uma excelente versão de "Toma o Comprimido" pelos Linda Martini, e para a "Canção do Engate" dos "Deolinda Martini" (palavras de Ana Bacalhau, quando as duas bandas se reuniram em palco).

 

Quem não deu, definitivamente, conta do recado foi Rui Pregal da Cunha. Talvez por já não ter a rotação dos concertos de antigamente, talvez por estar demasiado entusiasmado (ele foi amigo pessoal de Variações), há sérias possibilidades de não ter acertado em mais do que quatro ou cinco notas durante os temas que cantou, de "Dar e Receber" a "Erva Daninha". As calças à repórter Tintin era impecáveis, o discurso sobre Variações foi bonito, mas o desafinanço, ai meu Deus, o desafinanço.

 

© Agência Zero

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Depois de um gajo levar com o dilúvio sonoro a que Deus deu o nome de Arcade Fire (texto sobre isso a seguir ao almoço), já não se encontra mentalmente preparado para botar faladura sobre os Queens of the Stone Age, e muito menos sobre os Linkin Park.

 

Não queria, ainda assim, deixar de lavrar aqui o meu protesto em relação à atitude em termos de guarda-roupa de Josh Homme, líder dos QOTSA, que tantas alegrias me deram por alturas do maravilhoso Songs for the Deaf (2002).

 

Ó Josh, mas o que é isto?

 

© Agência Zero

 

Que casaquinho farsolas, de quarentão menino-da-mamã, é aquele? Brincamos? É Primavera. Estamos em Lisboa. Vocês são uma banda rock'n'roll. E de repente, Josh diz antes de entrar em palco: "Ai, ai, ai, vou vestir o anorak porque esta Bela Vista é muito ventosa." Que caraças.

 

Não, Josh, não. Não admira que o concerto tenha sido apenas assim-assim. O rock faz-se de mangas cavas ou, na pior das hipóteses, de t-shirt, ou, na pior da pior das hipóteses, com roupa desenhadas por estilitas famosos, onde toda a banda faz pendant (o que é pouco rock'n'roll, convenhamos, mas enfim). Agora, com um anorak Feira de Carcavelos? Não, pá, isso não. Um gajo fica logo de pé atrás. 

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