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O plano C

por João Miguel Tavares, em 09.01.14

E agora para algo completamente diferente: no Público de hoje falo sobre as vantagens da legalização da cannabis. Para ler aqui.

 

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A greve, muito em concreto

por João Miguel Tavares, em 07.01.14

No meu texto de hoje no Público regresso ao tema das greves e tento explicar porque é que elas são diferentes no sector privado e no sector público. Para ler aqui.

 

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Mário Soares à RTP

por João Miguel Tavares, em 06.01.14

Mário Soares sobre Eusébio:

 

Sabia que ele bebia muito whisky, todos os dias, de manhã e à tarde, isso eu sabia, mas julguei que isso não lhe fizesse assim mal.

 

 

 

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As altas temperaturas de João Galamba

por João Miguel Tavares, em 02.01.14

Acabei de ver João Galamba à bulha com Guilherme Silva na TVI 24. Eu concordo com pouco do que Galamba diz, ele é muito agressivo a falar, parece o Zangado dos sete anões e a sua jugular está sempre entourada. Mas ele, e outros deputados da esquerda do PS parecidos com ele - por exemplo, Isabel Moreira -, têm uma grande qualidade: a sua falta de paninhos quentes dificultará que um dia sejam engolidos pelo grande centrão dos interesses que domina Portugal.

 

Estão a ver aqueles deputados do PS e do PSD que a gente vê discutir na televisão mas que sabe que após acabar o programa vão dar um abraço, contar umas piadas e, quem sabe, jantar fora e colocar aventais à sobremesa? Pelo menos, João Galamba parece não ser desses. E isso é uma qualidade inestimável. É porque aquilo que aparentemente é uma exibição saudável de civismo e boa-educação e convivência democrática, em Portugal é a maior parte das vezes apenas sintoma do Bloco Central pastoso que tanto mal nos tem feito.

 

Zangado como só ele, João Galamba ao menos divide as águas. Diz de quem não gosta (que é quase toda a gente). E é um vulcãozinho de indignação. A sua paixão socrática é-me incompreensível, como imaginam. Mas lá está: não é morno. E não ser morno, em 2014, não sendo tudo, já é alguma coisa. 

 

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Greves à portuguesa

por João Miguel Tavares, em 02.01.14

Hoje, no Público, escrevo sobre as particularidades tão especiais das greves em Portugal. Para ler aqui.

 

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Que teleponto era aquele?

por João Miguel Tavares, em 01.01.14

O que eu tenho a dizer sobre a mensagem ao país de Cavaco Silva é isto: enfiaram o teleponto por baixo da câmara e o Presidente da República passou a comunicação inteira a olhar para as minhas calças. Não me consegui concentrar, estava sempre a verificar se teria deixado a braguilha aberta, e agora vou ter de ir ler o texto para a internet. Para a próxima vez, exige-se mais profissionalismo.

 

 

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Sobre o estado do país... em 2011

por João Miguel Tavares, em 01.01.14

No final de 2011, fui convidado para orador da conferência anual da APCER, num hotel de Óbidos, com o objectivo de fazer uma espécie de balanço do estado do país. Hoje, ao andar à procura de uns textos antigos no computador, encontrei o texto da minha intervenção. É bastante longo, mas gostei de o reler, parece-me actual e mais de dois anos depois não retirava uma vírgula ao que ali está escrito. Aqui fica ele:

 

1.     A crise.

 

A maior prova de que o país está realmente em crise é que me disseram que o ano passado o orador convidado desta conferência tinha sido o professor Marcelo Rebelo de Sousa - e neste momento estou aqui eu. Lamento muito. O Dr. José Leitão já me garantiu que eu fui mesmo a primeira escolha, mas ninguém me convence que irem ser obrigados a ouvir-me durante 45 minutos não faça parte de uma dura medida qualquer que foi imposta pela troika.

 

Foi-me pedido para falar um pouco do estado do país, mas aproveitando o facto de a minha mulher ter ficado em Lisboa e de eu precisar de desabafar, queria começar por falar dela. Nós temos três filhos, de três, cinco e sete anos, e estamos sozinhos em Lisboa, porque eu sou de Portalegre e ela é de Castelo Branco e os nossos pais não vivem por perto. Donde, a nossa vida é sempre um grande animação, sobretudo aquelas manhãs loucas em que é preciso correr para os pôr a tempo na escola.

 

A minha mulher é médica e muitas vezes faz bancos à noite. Quando está de banco, e como tem uma opinião muito baixa das minhas capacidades para escolher o guarda-roupa das crianças ou para decidir aquilo que elas devem comer ao lanche, deixa-me tudo criteriosamente organizado por montinhos e às vezes com post-its, ao ponto de as minhas manhãs quando ela não está parecerem uma linha de montagem da Autoeuropa: é só ensacar a comida nas malas e os miúdos nas respectivas roupas.

 

Quando eu estou sozinho, portanto, chego sempre impecavelmente a horas à escola, apesar de não ter ajuda e estar geralmente sem carro e ser obrigado a ir de metro. Já quando a minha excelentíssima esposa está em casa… instala-se o caos. Eu estou à espera que ela faça e ela está à espera que faça eu, como somos dois parece que o tempo estica quando na verdade encolhe, é como se nos atrapalhássemos um ao outro.

 

Ela põe-se a fazer a cama dos miúdos e a meter a máquina de lavar roupa a trabalhar, eu pergunto-lhe se ela acha mesmo que aquela é a altura certa para fazer aquilo, porque raio é que ela não percebe que a prioridade é enfiar os putos na escola, ela basicamente acha que eu sou um parasita que só quer sopas e descanso, e no final acabamos a discutir. O resultado é a Carolina (a minha filha mais velha, a única que já está na primária) chegar invariavelmente cinco minutos depois da hora quando é a minha excelentíssima esposa a levá-la. É um conceito estranhíssimo, mas verdadeiro: a minha mulher consegue estar sempre pontualmente atrasada.

 

A questão é: porque é que não acordámos 10 minutos mais cedo? Porque é que não nos organizámos melhor? Porque é que não fomos mais prudentes? Porque é que saímos sempre a correr que nem doidos? Porque é que isto acontece todo o santo dia? Porquê, porquê, porquê? Todos os sabemos porque é as coisas correm mal? Sabemos. Porque é que não as corrigimos de vez? Sabe Deus. Minhas senhoras e meus senhores: a minha casa é Portugal.

 

2.     O estado do país.

 

A minha casa é Portugal na desorganização, na falta de planeamento e – por que não dizê-lo? – na incompetência. Mas com uma diferença muito importante: felizmente, eu e a minha mulher ainda ganhamos o suficiente para a sustentar. Portugal, não.

 

E por isso, quando tanto se fala do estado do país, das soluções para o país, ou do futuro do país, temos de tomar consciência de duas coisas.

A primeira é de que nós estamos falidos. Fomos uns adolescentes estroinas durante décadas e precisamos do dinheiro da mãe (chame-se ela Angela Merkel ou o que for) para nos sustentar.

 

A segunda é de que nós estamos falidos por culpa própria. Nós chegámos aqui não porque alguém nos obrigou, não porque tivemos más companhias que nos levaram para a droga, mas porque assim o quisemos. Afirmar que nós estamos falidos e falidos por culpa própria parece tão evidente que dizê-lo aqui em voz alta pode até ser considerado ofensivo para a inteligência da insigne plateia. Mas olhem que não. Metade do país ainda não percebeu isto. Boa parte da esquerda em Portugal continua em negação. E isto é como aquelas reuniões nos Alcoólicos Anónimos: até nós admitirmos “sim, sou alcoólico”, ninguém pode iniciar o processo de cura. O primeiro passo é admitir o problema.

 

A verdade é que nós até admitimos o problema, mas depois agimos como se a culpa não fosse nossa. Dizemos que a culpa é do mundo. Dizemos que a culpa é dos mercados.

 

 

 

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