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É uma piada, senhores...

por João Miguel Tavares, em 15.11.13

Por causa deste texto do Joel Neto, descobri com espanto a existência de uma polémica em torno da participação de João Moleira neste divertido teaser do livro de BD As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy:

 

 

Eu serei parcial, na medida em que gosto muito do Filipe Melo e admiro profundamente tudo aquilo que ele conseguiu com esta sua trilogia de aventuras de Dog Mendonça (desde logo, ser editado pela americana Dark Horse). Mas, de qualquer forma, toda a discussão me parece absurda.

 

Participar numa paródia destas nada tem a ver com publicidade (não acredito que João Moleira tenha sequer sido pago), e espero que não estejamos já a viver um tempo em que se confunde livros com pastas de dentes. O cenário é parecido com o da SIC? Sim, é, mas que mal é que isso tem? Não há-de ser difícil encontrar notícias que prejudiquem mais o prestígio da SIC do que este inocente teaser com uma das caras do canal.

 

E por isso, para os mais picuinhas, deixo aqui um excerto do último 007, Skyfall, onde esse jornalista badalhoco e descredibilizado chamado Wolf Blitzer dá a cara, juntamente com a CNN, por uma notícia que nunca aconteceu...



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Uma coisa em forma de assim

por João Miguel Tavares, em 14.11.13

O texto que o Daniel Oliveira hoje publica no Expresso, intitulado "Um novo sujeito político à esquerda", é importante por duas razões:

 

1. Admite que a esquerda europeia esbarrou de frente com a parede e que experiências como a de Hollande (ainda há tão pouco tempo o herói de António José Seguro) estão a escaqueirar a pouca credibilidade que lhe resta, abrindo espaço ao crescimento da extrema-direita.

 

2. Apresenta alegadas alternativas alegadamente concretas para inverter a situação.

 

Analisemos então o que diz Daniel Oliveira no seu texto:

 

1. Hollande está a lixar tudo [concordo].

 

2. Seguro é "um Hollande em potência" [concordo].

 

3. A única forma de o PS não seguir os passos de Hollande é com uma "forte ameaça vinda da esquerda" [concordo].

 

4. "Essa ameaça dificilmente poderá surgir, por si só, apenas de um novo partido político" [certo, o Rui Tavares não vai resolver nada].


5. "Isso poderia balcanizar ainda mais o que já está dividido, bloqueando qualquer solução" [ok... então a solução é apoiar o PCP e o Bloco?].


6. "Essa ameaça dificilmente pode surgir do PCP" [ai não? Ok, corta-se o PCP... Fica o Bloco].


7. "Essa ameaça não virá do Bloco de Esquerda, que perdeu a oportunidade histórica de cumprir esse papel" [também não?... mas então quem? O PCTP/MRPP?].


8. "A verdade é que dificilmente, em Portugal, com a nossa história, um movimento político amarrado à tradição da extrema-esquerda poderá ameaçar o PS" [eeeerhhh, bom, mas então, não estou a ver bem...].


9. "Na reconfiguração do cenário partidário à esquerda, a abrangência ideológica tem de ser muitíssimo maior do que hoje é abarcado pelos partidos à esquerda dos socialistas" [ok... precisamos então de uma cena ideologicamente abrangente para obrigar o PS a ser mais ideologicamente concentrado... não sei se faz muito sentido... mas essa cena é o quê?].


10. "Tenha a forma de movimento, frente, coligação ou qualquer outra coisa, o novo sujeito político deve juntar quem, à esquerda, esteja interessado em unir forças. Pode e deve abranger partidos políticos já existentes, partidos políticos que entretanto se possam formar e muitos dos que não militam em qualquer partido" [ah, tá bem, citando o velho O'Neill, é "uma coisa em forma de assim"].


Portanto, em resumo, eis a solução de Daniel Oliveira para salvar o país de Pedro Passos Coelho e de António José Seguro (e posso garantir que até eu pagava para me ver livre desses dois): uma coisa em forma de assim. Um "movimento". Uma "frente". Uma "coligação". Mas especialmente: "qualquer outra coisa". E ainda: um "novo sujeito político".

 

Infelizmente, está-se mesmo a ver que, para não variar, este é mais um sujeito que não vai sair de verbo.

 

Entre o partido político de Rui Tavares que ninguém sabe quem apoia e a coisa de Daniel Oliveira que ninguém sabe o que é, venha o Diabo e escolha. Mas assim está a nossa esquerda, e assim estão dois dos seus mais jovens, mediáticos e brilhantes representantes (e aqui não estou a ironizar).

 

Devo dizer que não há nenhuma alegria nesta constatação, porque nós precisamos muito de alternativas credíveis àquilo que temos. Mas esperar que a esquerda se una e se entenda em "qualquer outra coisa" que não seja o NÃO do costume (não, não queremos a troika; não, não queremos a austeridade; não, não vamos por aí), é pura utopia. Basta, a título de pequeno exemplo, olhar para a guerra civil que se abriu no blogue Cinco Dias por causa do legado de Álvaro Cunhal.

 

O que Daniel Oliveira parece querer, se bem percebi, é uma espécie de Tea Party à portuguesa, mas do lado da esquerda. Chamar-lhe Partido do Chá seria desagradável. Chamar-lhe Partido da Falta de Chá seria pouco simpático. Chamar-lhe Partido da Sangria parece-me uma designação correcta: por um lado, porque se mete tudo lá para dentro; por outro, porque ninguém irá sair de lá vivo.



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Parece que sou fascista

por João Miguel Tavares, em 14.11.13

Há umas semanas o Daniel Oliveira deu-me umas bicadas no seu blogue Arrastão, e eu respondi-lhe no Público com este texto, que ainda se mantém actual - já irão ver porquê:


Daniel Oliveira, que não sendo propriamente meu amigo é alguém por quem nutro amizade e admiração intelectual, decidiu falar de mim numa das suas últimas colunas do Expresso online [NR: na verdade, o texto acabou por não sair no Expresso online, mas apenas no Arrastão], incluindo-me numa “jovem direita, que até já foi civilizada”, mas que agora, lamentavelmente, “está cada vez mais próxima do estilo Fox News”. Diz ele: “Sente-se ali o Dr. Strange Love. Bem tenta, mas a tradição não deixa conter aquele bracinho...” Ou seja, parece que quando estou mais distraído o meu membro superior direito ganha vida própria e desata a fazer a saudação romana, à boa moda fascista.

 

E porque é que, no entender do Daniel, eu sou um terrível ex-civilizado e um lamentável proto-fascista? Porque me atrevi barbaramente a defender que somos um “país tenrinho”, apontando como exemplo a demora com que o governo tratou o caso da ponte, quando qualquer pessoa com dois dedos de testa e sem um par de palas extremistas nos olhos perceberia que permitir ali manifestações, seja da CGTP ou dos Amigos dos Animais, não tem pés nem cabeça. Tal qual – diria eu imodestamente – se veio a provar.

 

Não querendo, contudo, voltar a uma vaca que por esta altura já está gelada, devo dizer que não percebo porque se indigna tanto Daniel Oliveira com o conceito de “país tenrinho”. Afinal, basta passar os olhos pelo seu blogue – o Arrastão – para encontrar numerosos defensores desta mesma tese. A esquerda mais musculada não tem dito ou sugerido outra coisa. Para vários amigos do Daniel (não sei se deva aqui incluir o próprio, ele logo me dirá), o país é mesmo muito, muito, muito tenrinho, e por esta altura o povo há muito, muito, muito que deveria ter saído à rua e deposto o actual governo, por eles considerado não apenas péssimo, indecoroso ou indecente, mas também – e sobretudo – ilegítimo.

 

Donde, quando Daniel Oliveira afirma que a proibição da manifestação na ponte foi “só mais um passo para o ambiente de medo e apatia que pretendem impor ao País”, o que ele está efectivamente a querer dizer em linguagem de Arrastão é que foi “mais um obstáculo para o ambiente de ferro e fogo que certa esquerda gostaria de ver no país”. Às vezes não sei bem o que é que mais os irrita – se o governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, se a forma mole, desencantada e tenrinha com que o povo “ai aguenta, aguenta”.

 

Portanto, caro Daniel, não sou eu que estou com vontade de levantar o bracinho – és tu que mo estás a puxar. Em boa verdade, nós estamos unidos na frustração em relação a este governo: tu, porque achas que ele nos está a empobrecer pela direita (a destruição do Estado Social); eu, porque acho que nos está a empobrecer pela esquerda (a incapacidade de diminuir o peso do Estado). A diferença entre nós é que no meu caso existe um caminho alternativo – a eternamente adiada reforma do Estado –, enquanto no teu caso não existe caminho algum.

 

Espera, estou a ser injusto. Há dias tu propuseste um: “A alternativa? Correr o risco de ser livre. E pagar a factura dessa liberdade. Seja dentro ou fora do euro, seja correndo com a troika ou negociando firmemente com ela. Pobres, se preciso for. Falidos, se tiver de ser. Mas dignos de, como povo, sermos donos do nosso destino.” É bonito, sim senhor. Mas não admira que com alternativas deste calibre a esquerda precise de andar a levantar os braços dos outros – é que para pagar tal factura não há quem ponha a mão no ar.



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Brilhantes ideias

por João Miguel Tavares, em 14.11.13

Hoje no Público escrevo sobre as 10 alternativas do PS para o país, as ideias de Brilhante Dias (assessor económico de Seguro) que realmente brilham, mas sobretudo sobre todas as outras que ficam na sombra. Aqui.

 

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A obsessão pela lista

por João Miguel Tavares, em 13.11.13

 

Um óptimo texto de Steve Poole no The Guardian sobre a obsessão por fazer listas de tudo e mais alguma coisa, uma tendência dominante no mundo digital e que já vai passando para o papel. Aqui.

 

PS - Adoro listas.

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Inauguração oficial

por João Miguel Tavares, em 12.11.13

Como diria José Afonso, seja bem-vindo quem vier por bem - hoje é a inauguração oficial deste meu novo blogue. E por isso, nada como começar com um grande abraço ao Pedro Neves, da Sapo, pelo excelente design. Obrigado, Pedro.

 

Este blogue será dedicado a temas de política e a todos os meus interesses pessoais que não metam fraldas e putos ranhosos - para profundas reflexões sobre assuntos domésticos, continuará a existir o Pais de Quatro.

 

O objectivo deste blogue é duplo: mandar bocas (perdão: reflectir) sobre a actualidade portuguesa - política, cultural, jornalística -, já que muita coisa não cabe nas minhas outras intervenções mais mediáticas, seja nos textos do Público, seja nos comentários do Governo Sombra; e trazer para aqui parte do meu arquivo, que ao longo de 15 anos de jornalismo já tem um certo volume: entrevistas, críticas, artigos, a ideia é que haja de tudo um pouco, desde que continue a ter alguma actualidade e interesse - como é, por exemplo, o caso da entrevista ao Leonard Cohen, que podem ler em baixo.

 

Espero sinceramente que gostem e que opinem. No arranque, os comentários não serão moderados. Tratando-se de um blogue sobre política, é possível que esta política só dure para aí 24 horas. Mas gosto sempre de começar super-optimista, e acreditar que só verdadeiros gentlemen, daqueles que o João Carlos Espada adora, irão passar por aqui.

 

Até já e naveguem muito.

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Mário Soares no DN #2

por João Miguel Tavares, em 12.11.13

Soares, cientista e analista político, demiurgo num universo paralelo, declara que Angela Merkel perdeu as eleições:

 

"A chanceler Merkel tem gravíssimas responsabilidades no que tem vindo a acontecer. Tem sido a campeã da austeridade para os outros. E agora, depois de ter perdido as eleições - visto que o partido, seu aliado, não conseguiu eleger ninguém para o Parlamento -, está forçada a fazer um acordo com os Sociais Democratas (que tem demorado) para voltar ao poder."


DN, 12 de Novembro de 2013



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Mário Soares no DN #1

por João Miguel Tavares, em 12.11.13

Soares, estadista, realista, revolucionário, amigo:


"Se o Presidente Cavaco Silva continuar a só ver Passos Coelho, Paulo Portas e os seus assessores, ignorando o País real, mais cedo ou mais tarde irromperá subitamente a violência neste país. É inevitável! E o Presidente provavelmente não acabará o seu mandato. Quem o avisa, seu amigo é..."


DN, 12 de Novembro de 2013



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Machete Kills parte III

por João Miguel Tavares, em 12.11.13

Eis o meu texto de hoje no Público, sobre Rui Machete e a mitologia do senador. Aqui, para assinantes do jornal.

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Governo Sombra de 8/11/2013

por João Miguel Tavares, em 11.11.13

Para os interessados em análises profundas da actualidade portuguesa, a última edição do Governo Sombra pode ser encontrada aqui.

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