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Resposta a Hugo Mendes, do Jugular

por João Miguel Tavares, em 22.11.13

O Hugo Mendes responde ao meu texto de ontem no Jugular. A qualidade do seu post mereceu a seguinte resposta da minha parte, que deixei na sua caixa de comentários:

 

Caro Hugo Mendes, eu não tenho por hábito comentar posts, mas a qualidade deste seu texto e a seriedade da sua análise merecem uma resposta da minha parte. Não para contestar os seus números, mas para precisar a minha posição.

 

1. A referência aos 28 mil milhões, que encontrei tanto no Finantial Times como no Wall Street Journal, não se referem apenas a cortes na despesa, mas a cortes na despesa e a aumento de impostos: "To control a huge budget deficit, a legacy of its property and banking crashes, Ireland since 2008 has implemented €28 billion of tax increases and spending cuts. It is obliged under the EU and IMF program to continue cutting the deficit and add another €5.1 billion in cumulative measures for 2014 and 2015." Foi uma imprecisão minha, pela qual peço desculpa.

 

2. Em relação ao interessante gráfico a propósito da evolução do défice irlandês, proponho que o compare com um gráfico semelhante em relação à evolução do défice português. Embora o nosso sistema bancário não tenha entrado em colapso, também tivemos a nossa dose de BPNs, BPPs e BANIFs - retirando esses valores ao défice nacional, e ainda que queira atirar os 30,6% irlandeses borda fora, será o ajustamento dos défices português e irlandês assim tão distinto?

 

3. A motivação do meu texto, como penso que está bem explícito, foi recusar a tese de que o programa irlandês resultou porque fugiu à austeridade. Ele não fugiu à austeridade coisíssima nenhuma. O que fez foi aplicar um outro tipo de austeridade, mais inteligente, que passou muito mais pelo corte na despesa - matéria em que, de facto, diria que foi bastante mais firme - do que pelo aumento dos impostos.

 

4. Por favor, não entenda o meu texto como uma defesa do governo. Eu levo o tempo todo a ser confundido com um defensor do governo só porque passo boa parte do tempo a bater na oposição. Ora, entenda que bater no governo e bater na oposição não são actividades incompatíveis. Bem pelo contrário, diria mesmo que neste momento são as duas únicas actividades possíveis em Portugal. O governo está a desaproveitar uma oportunidade histórica para reformar o país; e o PS está a aproveitar a oportunidade histórica do costume, que consiste em fingir de morto e insinuar que basta estalar os dedos para começarmos a crescer à irlandesa.

 

5. Por último, deixe-me saudar novamente a forma elevada como respondeu ao meu texto. Se as pessoas em Portugal discutissem com a seriedade que o Hugo utilizou aqui, os embates ideológicos seriam altamente produtivos, em vez de se esgotarem na gritaria do costume. Agradeço-lhe sinceramente por isso.´


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Por um Portugal à irlandesa

por João Miguel Tavares, em 21.11.13

Eis a minha crónica de hoje no Público sobre essa extraordinária patranha que consiste em dizer que o programa de resgate irlandês correu bem porque o país resistiu à aplicação da austeridade. Um grande "ah, ah, ah" aqui.

 

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Perivaldo, da selecção brasileira para as ruas de Lisboa

por João Miguel Tavares, em 20.11.13

Grande história hoje de Cipriano Lucas no DN sobre Perivaldo, antigo jogador da selecção brasileira dos anos 80 (esteve no campeonato do mundo de Espanha 82), e que hoje é sem-abrigo em Portugal e vendedor na Feira da Ladra. O DN dedica-lhe uma página inteira. Merecia, obviamente, muito mais.

 

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Mário Soares no DN #4

por João Miguel Tavares, em 19.11.13

Soares, cientista e analista político, demiurgo num universo paralelo, declara que a Irlanda conseguiu sair da crise porque "não foi subserviente" e dominou os "mercados usurários":


Ao contrário do que diz a propaganda do Governo, Portugal está paralisado, sem rumo, sem ética e é cada vez mais um protetorado da troika. Está a destruir tudo o que resta do património português e a caminhar para uma espécie de nova ditadura. (...) Agora recebeu um novo golpe com a nova situação da Irlanda - que entrou em crise antes de nós - e que soube ter um Governo competente para sair dela. Porquê? Porque não foi subserviente e a política foi sempre - ou quase - dominante sobre os mercados usurários, mantendo o respeito pelos seus compatriotas e não os ignorando. Ao contrário do nosso Governo.


DN, 19 de Novembro de 2013



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Mário Soares no DN #3

por João Miguel Tavares, em 19.11.13

A saga continua. E parece que já há armas a serem limpas:

 

Quando digo que este Governo está moribundo, que só existe ainda dada a proteção anticonstitucional do Presidente Cavaco Silva, entenda-se que não o faço para o tentar humilhar ou por razões ideológicas ou político-sociais. É tão-só para evitar, enquanto é tempo, a violência que aí vem.

 

Os ministros e o Presidente não podem sair à rua porque têm medo de ser vaiados ou mesmo agredidos.

 

O desespero é cada vez maior e estou convencido - com boas razões - de que poderá vir a passar à violência, que pode ser fatal.

 

Os portugueses são geralmente pacíficos, mas temos muitos exemplos na história em que, quando as marcas se passam, reagem a sério. Demitam-se, pois, enquanto é tempo: Presidente e Governo. Antes que lhes aconteça o pior.

 

Faça o que deve [NR: Mário Soares refere-se ao Presidente da República]: demita-se, enquanto pode ir para casa sossegado. Só lhe faltam dois anos. Não arrisque deixar desencadear a violência. É o pior que nos pode acontecer.

 

DN, 19 de Novembro de 2013

 


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Este Fernando é um pândego

por João Miguel Tavares, em 19.11.13

No Público de hoje escrevo sobre Fernando Moreira de Sá e a espectacular entrevista que deu à Visão, sobre "spin digital" e os numerosos amigos bloggers de Pedro Passos Coelho. Aqui.

 

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"Chamar a Música", versão samueluriana

por João Miguel Tavares, em 18.11.13

Só mesmo um pequeno génio de patilhas é que conseguiria transformar isto (esqueçam, por favor, o penteado de Sara Tavares):

 

 

nisto:

 

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O gambá

por João Miguel Tavares, em 18.11.13

Eu escrevi este texto sobre António José Seguro há dez dias no Público, mas de cada vez que o ouço falar parece-me sempre actual:

 

António José Seguro partilha com alguns mamíferos marsupiais a notável capacidade de se fingir de morto quando sente a aproximação de um perigo. O gambá, por exemplo, imita o seu falecimento na perfeição, caindo para o lado, de língua de fora. A técnica de António José Seguro é distinta: mantém-se sempre de pé, muito direitinho, e fala, fala, fala muito, mas sempre com o extraordinário cuidado de não dizer absolutamente coisa alguma, nem correr o mais pequeno risco que o possa comprometer. E a verdade é esta: no território da política portuguesa, tal forma de parecer morto tem-lhe dado uma longa vida.

 

Primeiro, foi vê-lo atravessar a selva socrática sem nunca pôr o pé em ramo verde, sempre de nariz no ar a ver onde soprava o vento, metade do corpo dentro e outra metade fora, enquanto fazia o seu trabalho de formiguinha junto das concelhias socialistas. Agora, como líder do PS, Seguro tem aperfeiçoado esta sua letargia palradora, numa espécie de oposição tântrica, procurando atingir o prazer do poder mexendo-se o mínimo possível. Mesmo quando o picam, seja através de Cavaco, que o obrigou a reunir com Passos durante a crise do Verão, seja agora através do PSD e do CDS-PP, que insistem na necessidade de debater a reforma do Estado, Seguro reage segundo a sua máxima muito particular, de quem leu O Leopardo de pernas para o ar: “É preciso que tudo fique na mesma para que algo mude.”

 

É por essa razão que ele é o campeão nacional do imobilismo em movimento. Ainda há dias, empurrado mais uma vez pelo Presidente da República para discutir o Portugal pós-troika, Seguro voltou a aparecer diante das câmaras de televisão com uma pose falsamente agastada, em novo ensaio de como fingir de morto permanecendo vivo. Ele disse coisas como “chega de conversa fiada” enquanto fiava mais conversa, disse que “estava farto de discussões que não levam a coisa nenhuma” enquanto discutia coisa alguma, disse que não queria mais “diálogos pelos diálogos” enquanto monologava, e disse que “o país precisa de soluções” sem ter soluções para mostrar, exceptuando aquelas palavras mágicas, de que só ele certamente conhece a fórmula, que transformam a austeridade em crescimento, através de um banco de fomento, de fundos europeus e de aldrabices assumidas nas contas do défice.

 

Já vai sendo hora da complacência para com a incompetência de António José Seguro acabar de uma vez por todas, incluindo por parte dos jornalistas que lhe põem o microfone à frente para as suas não-declarações, e que não podem achar normal um partido político com ambições de governo recusar-se a entrar no debate sobre o futuro do país. De outra forma, de cada vez que Seguro abre a boca é a democracia portuguesa que continuará a ficar um pouco mais pobre.

 

Nós vivemos numa época de urgência, em que a oposição não se pode limitar ao papel clássico de esperar que o poder lhe caia de podre no colo. O PS tem demasiadas responsabilidades no estado a que o país chegou para que se possa permitir dar estes ares de morto-vivo, recusando discutir no tempo certo aquilo que obviamente terá de discutir em tempo incerto. A cobardia política de que o seu líder dá mostras é tão grave quanto os piores momentos de amadorismo deste governo. A oposição pelo bocejo não é aceitável. E isto não é uma questão ideológica – é apenas exigir que o regime não desça ao nível do gambá.



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Demasiadas Europas na Europa

por João Miguel Tavares, em 18.11.13

Madrid

 

 

Berlim

 

 

E um texto de Timothy Garton Ash a explicar porque é que a Europa está enfiada numa camisa-de-onze-varas.

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Ainda faltam nove dias, pá

por João Miguel Tavares, em 17.11.13

O Actual (ou melhor, o Atual) deste fim-de-semana dedica a capa ao segundo volume do projecto Voz e Guitarra. O artigo está completo e bem elaborado, mas tem um daqueles defeitos que sempre me irritaram, muito antes de ser jornalista, quando era apenas um modesto leitor de jornais: escreve no dia 16 de Novembro maravilhas sobre um disco que só estará disponível a 25 de Novembro. Nove dias depois. Duas edições antes de ele efectivamente estar nas lojas.

 

Um leitor - como é o meu caso - que fique interessado em adquirir o objecto, seja numa loja, seja na net, vai ter de aguentar a sua curiosidade a um ponto tal que quando o disco sair provavelmente já não se vai lembrar que ele saía. Eu sei que os jornais fazem isto para se anteciparem à concorrência, porque acordam com as editoras serem os primeiros e, assim sendo, para se sentirem mais relevantes. Mas, na verdade, é daquelas coisas que serve mais para confortar o ego dos jornalistas do que para servir o seus leitores.

 

Só uma minúscula minoria de leitores lê mais do que um jornal, e estou convencido de que se está absolutamente nas tintas para quem dá primeiro a notícia do lançamento de um novo disco - o lançamento do Voz e Guitarra 2 não é propriamente o Watergate. Mas, pelo contrário, duvido que os leitores se estejam nas tintas - eu, pelo menos, não estou - para o facto de aquele disco sobre o qual ficaram super-interessados afinal só ir sair dali a duas semanas. 

 

É por estas e por outras que tanta gente fica com a sensação de que os jornalistas escrevem, em primeiro lugar, para os seus pares e para as suas fontes. E assim se esquecem daquilo que é o interesse do seu público, em nome de uma concorrência que, nesta área específica da música e da cultura, ninguém vislumbra, a não ser eles próprios. A capa do Atual é um daqueles casos em que a fama de privilegiados ("olha o jornalista sortudo que escuta os discos com tanta antecipação") causa mais irritação do que admiração.

 

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