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Podemos gostar mais de Jessie J do que de Justin Timberlake?

por João Miguel Tavares, em 02.06.14

Foi curioso ver Jessie J e Justin Timberlake em sequência na última noite do Rock in Rio, desde logo porque a primeira fez tão grandes e tão numerosas declarações de amor ao segundo durante a sua actuação (disse que ele foi fundamental na sua carreira quando afirmou que ela era "uma das melhores cantoras do mundo" e informou no final que ia só trocar de roupa para se juntar à plateia) que, se eu fosse mulher do Justino Lago dos Madeiros, teria ficado com ciúmes. Até porque Jessie J tem dos melhores pares de pernas da pop internacional, e fartou-se de as exibir, como se pode verificar:

 

© Agência Zero 

 

Mas o mais curioso não foi isso - foi a atitude de cada um. Jessie J tem dois discos muito bem sucedidos e um público fiel (houve um tipo com barba a chorar desalmadamente na plateia só porque ela cantou a olhar para ele), mas ainda anda a fazer pela vida. Não é uma estrela de plástico: apesar de ainda só ter 26 anos, começou a carreira como compositora de gente com Miley Cyrus, até se decidir subir a um palco em nome próprio.

 

E como não é ainda grande-grande mas apenas semi-grande, põe tudo o que tem nos seus concertos, apesar dos seus problemas cardíacos. E o seu "tudo" vai muito para além do groove da irresistível "Price Tag", com o "Money/ Money/ Money" cantado em coro por perto de 80 mil pessoas na Bela Vista (ela repetiu as palavras de Lorde ao dizer que aquele era provavelmente o mais espectáculo da sua carreira). Não, ela não tem pinta de one hit wonder, e a maneira como se fez à vida no Rock in Rio obriga a que os nossos olhos não a larguem. E não é só por causa das pernas.

 

Acerca das pernas de Justino Lago dos Madeiros não há muito a dizer, porque ele nunca tirou as calças - afinal, o palco da Bela Vista não é um filme de Hollywood. Mas a grande diferença dele para Jessie J não é só o tamanho da carreira nem o número de êxitos: é que ele dá por adquirido aquilo que ela acha que ainda tem por conquistar. Ou seja, Justin Timberlake é bom e sabe que é bom, e essa consciencialização acarreta o risco do espectáculo programado a régua e esquadro, com as falas certas nos sítios certos, os impecáveis passos de dança, a roupinha à maneira, os "JT" espalhados por instrumentos e cenários, tudo tão certo como um relógio de cuco feito na Suíça.

 

© Agência Zero 

 

Foi um belo espetáculo, claro, mas dentro do género 86-60-86. Para quem prefere o registo girl next door (olhem para mim a levantar o braço) soube um bocadinho a pouco. Não por ter sido mediano, porque não foi, não por ele ter falhado algum dos seus clássicos, porque não falhou, não porque os Tennesse Kids não sejam uma banda de suporte do caraças, porque são, mas por ter sido tudo tão bonitinho e previsível.

 

Justin Timberlake é um bom dançarino sem ser um extraordinário dançarino, é um bom cantor sem ser um extraordinário cantor, é um bom instrumentista sem ser um extraordinário instrumentista, é um bom compositor sem ser um extraordinário compositor, é um bom actor sem ser um extraordinário actor, mas é extraordinário pela versatilidade que demonstra, e nisso é um caso raro de renascentismo pós-moderno, já que a sua influência se estende da música ao cinema, da tequilha à roupa, da restauração ao golfe.

 

Em resumo, o homem é muitíssimo digno de admiração e pôs de pé um espectáculo impecável, que fechou o Rock in Rio com chave de ouro. Mas como eu gosto muito de ver as marcas das unhas no concertos de quem ainda faz por trepar na vida, Jessie J tocou-me mais no coração do que o sobredotado americano por quem ela, e 99,89% das mulheres presentes no recinto, se derretem perdidamente (só a minha é que não). Claro está que isto pode ser só ciúmes. E pernas. Não esquecer as pernas.

 

 © Agência Zero

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3 comentários

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De Zélia a 02.06.2014 às 17:35

Senti exactamente o mesmo... gosto de JT, assisti ao concerto, SIC RADICAL, na companhia da minha filha ( 18 anos) que é fã do JT... mas fiquei com essa sensação, a actuação de Jessie J, foi muito mais apaixonante, mais ligação com o publico... mais espontaniedade... a expressão que me surgiu ao ver JT, foi "muito certinho e direitinho" (acho que não o disse em voz alta, a minha filha iria ficar desapontada) ...
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De Maria a 02.06.2014 às 17:19

Também gostei mais dela. Achei-o muito robótico, sem alma.

O que mais gostei foi a Lorde. Para mim, excepcional.
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De Paulo Caldeira a 02.06.2014 às 16:29

Eu até vou mais longe, para mim a JJ foi muito, mas muito melhor do que o JT. Senti mais alma, vi paixão e sobretudo ouvi melhor música, sem dúvida. Essa é a minha opinião. Sorry JT fans!

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