Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


A vergonha do aborto gratuito

por João Miguel Tavares, em 13.02.14

No meu texto de hoje do Público falo sobre a questão do aborto e o absurdo da sua equiparação, em termos de privilégios, a uma gravidez. Para ler aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


38 comentários

Sem imagem de perfil

De hajapachorra a 16.02.2014 às 23:26

Sou homem, heterossexual e católico. Posso ser contra a legalização do aborto? E posso dizê-lo em público? Obrigadinho.
Sem imagem de perfil

De AC a 14.02.2014 às 16:18

Começo dizendo que sou contra o aborto, mas votei a favor de.
Sou contra tudo que impossibilita uma vida. 'Sou'. Eu, as minhas crenças ou moral ou forma de pensar (chamem-lhe o quiserem). Mas mais do que isso, sou contra os que são contra as moralidades dos outros, desrespeitando desta forma, em certa medida e desde logo, o outro.
É certo que, neste país, existe ainda - assim espero, muita falta de informação. Se me disserem que possa existir (usando um lugar comum) gente das aldeias que não tem acesso (físico ou mental) à pílula ou outros métodos anticoncepcionais, eu diria que sim. Acontece que esta 'gente', dificilmente terá acesso (também do foro do que é físico ou mental) ao aborto. Não são as 'Marias' que, geralmente, recorrem ao aborto. São as Rosarinhos. É verdade. E não será apenas por falta de acesso mas antes, por amor à vida. Uma forma mais simples de pensamento é, muitas das vezes, mais certeira e respeitadora.
Não me parece certo mandar no corpo dos outros. Mas mais que isso, não me parece certo mandar na cabeça do outro. Que eu pense que estou a mandar no corpo de dois, aí a história já é outra. Podia fugir a tudo que é premissa e enveredar pelo caminho que o outro - o mais pequeno e que está dentro do primeiro - não tem direito à escolha. Não vou por aqui, eu apenas quero mandar em mim.
Mas se me disserem que ando a pagar impostos para desresponsabilizar mulheres, ou raparigas, é ai que a porca torce o rabo. É exactamente isso que o Estado consegue ao pagar o aborto: desresponsabilizar. Hoje em dia somos cada vez menos responsáveis pelos nossos actos. Parece-me ser este o ponto mais importante nesta questão.
Parece-me justo (ainda que não me pareça certo) que uma mulher, se assim desejar, se possa dirigir a uma Maternidade para tal efeito. O que não me parece justo é que ela tenha os mesmos direitos que as grávidas, uma vez que de responsabilidades ela teve zero. Já que o Estado apoie os abortos espontâneos, e os casos que já apoiava antes, parece-me justo. Mas isto de ter férias à pala já é outra história. Assim como o acesso ao aborto sem taxas moderadoras.
Acontece que quem quer ter acesso à pílula ou ao preservativo de uma forma gratuita apenas tem que se dirigir a uma Maternidade. Não há aqui desculpas, portanto. As consultas de planeamento familiares são gratuitas, aliás como os tratamentos de PMA também o são desde finais de 2009 (à excepção da medicação, que mesmo com comparticipação do Estado, continua a ser pesada). Nas PMA limitam ao número três a hipótese de tentativas. No entanto, não há limite de abortos. Falo com conhecimento de causa, do primeiro caso, infelizmente. Mas a verdade é que até compreendo que haja um limite. Três tentativas são suficientes para perceber qual o motivo das causas de infertilidade. O que acontece depois? Seria maravilhoso o Estado poder patrocinar-nos mais tentativas? Seria. Como também seria maravilhoso que o Estado pudesse patrocinar todos os velhinhos que dependem dos Bombeiros para se deslocarem a um hospital. Acredito mais num Estado que dê primazia aos vivos do que aos que estão para nascer. Infelizmente existe uma necessidade de opção.
Quando me dizem que uma mulher tem direito a não sei quantos dias por ter abortado gratuitamente (não vou desenvolver a palavra gratuitamente...) eu digo: depois de muito ter lutado, em hospitais vários e por anos também vários, para ter um filho, quando finalmente consegui moedinhas suficientes no garrafão, dirigi-me a uma clínica privada e engravidei. Abortei, espontaneamente. Posso dizer que apenas precisei de 5 dias para me refazer fisicamente.
Psicologicamente? Tenho a sorte de ter trabalho; a vida não anda connosco ao colo. Nem tal seria meu desejo. Somos um país de ideias e actos fast-food. Aprendemos a ter acesso a demasiadas coisas sem o esforço que seria necessário aos nossos pais e avós. Conseguimos, com isso, deixar de dar valor ao que realmente importa.
Já minha mãe dizia: sem liberdade não há responsabilidade. Mas também: sem responsabilidade não há liberdade.
Caro JMT, acha mesmo que o Estado não se devia meter nisso?
Sem imagem de perfil

De Teresa A. a 14.02.2014 às 15:03

Este tema mexe muito comigo...
Devo dizer que sou católica e absolutamente contra o aborto, ok?
E o argumento de que eu posso fazer o que quiser com o meu corpo para mim nao pega muito, porque eu acredito que a minha liberdade acaba onde comeca a dos outros. E a partir do momento em que eu decido sobre a vida ou morte de um ser vivo, nao estou só a decidir sobre mim.
Eu até aceito que se discuta o aborto nos casos de violacao e tal, mas, falando a sério, qual a percentagem de abortos que é devida a isso?
Eu vivo na Alemanha e infelizmente conheco mesmo é casos de mulheres que, como comentou alguém, usam o aborto como forma de contracepcao. Por exemplo a irma de um amigo meu: o irmao foi várias vezes acompanhá-la quando ela foi abortar e ela acha aquilo o mais natural do mundo. E sao pessoas de uma família com dinheiro e educacao... Mas ela acha que contraceptivo é chato... Por isso tem 3 filhos de três homens diferentes, fora os vários abortos.
E sou mais apologista de educacao sexual e prevencao.
E também conheco casos de pessoas que lutaram imenso para ter filhos e tiveram que pagar um balúrdio porque, como em Portugal, o estado só paga os três primeiros tratamentos....
Se as mulheres nao têm dinheiro para pagar os abortos, talvez tenham dinheiro para pagar a pílula, o diafragma ou o preservativo?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.02.2014 às 23:05

Sou mulher e, permitam-me o esclarecimento prévio que entendo ser necessário para o assunto em discussão: sou agnóstica. No referendo votei "não". O meu "não" não tem a ver com questões religiosas, pelo explicitado previamente, mas sim com momento a partir do qual considero existir vida - para mim, esse momento é a concepção. Nunca me revi, nem me revejo, na premissa de que, sendo mulher, posso abortar por minha opção porque sou dona do meu corpo. Aqui, também ficam aniquiladas razões políticas porque eu simpatizante à esquerda e não concordo de todo com o argumento de que "é o meu corpo, é a minha escolha". É verdade: sou dona do meu corpo e, por isso, devo fazer uso dele com responsabilidade.
Respeito profundamente as mulheres que, efectivamente, se viram obrigadas a recorrer ao aborto em algum momento das suas vidas mas abomino as que tomam essa opção de ânimo leve. Sim, ponho a mão nesta ferida porque essas mulheres existem: conheci duas. Ex-colegas de trabalho, mulheres de carreira, ambiciosas e etc e tal, que admitiram, na primeira pessoa, que já tinham abortado porque "não podiam dar-se ao luxo de ter filhos". Dito desta forma. Crúa. Assim, tal e qual, à hora de almoço, depois de se discutir qual a melhor esteticista ali por perto do escritório, alguém se lembrou do referendo que estava para vir. Isto foi em 2006.
As razões destas duas mulheres iam todas bater às ambições profissionais. Para elas, naquela altura, a despenalização, poupava-lhes dinheiro, dias de férias e era mais cómodo. Lembro-me de lhes perguntar, ingénua e incrédula com o que estava a ouvir, por que razão tiveram de abortar (pelo que percebi na altura, pelo menos uma delas, tinha abortado duas vezes), quando existem tantos meios disponíveis para evitar uma gravidez não desejada. A reacção foi de risos escancarados e perguntaram-me se eu nunca tinha tido uma one night stand". Desculpem o impropério, mas porra ! Estamos a falar de mulheres, nos seus 30 anos, com formação superior, quadros superiores numa empresa de TI!
Naquela altura, para além das minhas convicções sobre o aborto, estava a viver um período muito doloroso da minha vida porque estávamos a tentar engravidar há anos, sem sucesso. Naquela altura (fiz tratamentos entre 2004 e 2006), a reprodução medicamente assistida RMA ) só era possível no privado e os medicamentos não eram comparticipados. Gastámos milhares de euros para conseguirmos a gravidez tão desejada. Não me arrependo de nenhum cêntimo gasto nessa altura. Mas tivemos de fazer opções. Entre outras coisas, deixamos de viajar e o sonho de mudar para uma casa maior foi adiado ad eternum .
Quando a lei foi aprovada senti uma injustiça profunda porque, a partir daí, aquelas mulheres que abortam porque não lhes dá jeito nenhum ter filhos mas a quem uma one night stand" até pode vir mesmo a calhar, passaram a fazê-lo nos mesmos hospitais públicos onde me eram negados tratamentos de RMA .
Actualmente, é possível fazer até três tratamentos de RMA nos hospitais públicos portugueses, sujeitos a taxas moderadoras, e os medicamentos já são comparticipados. Não fica tão caro, se falarmos em valores absolutos, mas na época que vivemos não fica nada barato. Posso garantir. Um casal infértil pode precisar de mais de três tratamentos até conseguir uma gravidez bem sucessida mas o SNS veda todas as possibilidades depois da 3ª tentativa sem sucesso. Que eu tenha conhecimento, uma mulher pode abortar, por sua livre vontade, (quase) sem limites e de forma gratuita no SNS. Espero, sinceramente, estar errada nesta afirmação mas parece-me que não há limitações tão rígidas como as que são impostas a casais inférteis que querem, muito!, ter um filho. Alguém consegue explicar-me isto?
Admito que a minha posição sobre o aborto se tenha "extremado" depois daquele almoço (ainda mais naquela altura da minha vida pessoal) e daquela descontracção às claras de quem já o tinha praticado porque não lhe dava jeito nenhum ter filhos. Repito: respeito imenso as mulheres que já tiveram e têm de o fazer porque a vida não lhes dá outra alternativa, mas não podemos ignorar que há outras mulheres que vêem o aborto como uma solução conveniente. Infelizmente há e choca-me que estas tipas (para não dizer outra coisa!) tenham direito de o fazer no SNS de forma gratuita.
Sem imagem de perfil

De Sílvia a 21.08.2014 às 21:02

Não és ninguém para julgar os outros! Se queres ter filhos, não significa que os outros tb queiram! As pessoas do "Não" acham, que por serem contra, mais ninguém pode fazer! Metam-se na vossa vida. Que hipocrisia! O aborto existirá sempre, seja ele legal ou não! Então que tenham condições para o fazer quem por ele opta, independentemente do motivo. Nunca consegui concordar com as pessoas do Não! São cegonhas que metem a cabeça na areia.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.08.2014 às 17:10

Também nunca consegui concordar com pessoas como a senhora e, ainda assim, consigo ser educada quando a elas me dirijo. Seja de que forma for: de viva voz ou por escrito. O mesmo não acontece consigo, pela forma como respondeu ao meu comentário.

Relativamente à questão que levanta, é natural que a minha dificuldade em engravidar e a luta que tive de travar para ter os meus filhos me tenha conduzido a julgamentos morais sobre as mulheres que conheci e que receberam a nova lei do aborto com alívio porque a despenalização, lhes poupa dinheiro e dias de férias. Além disso, acho profundamente injusto que no SNS o aborto seja gratuito e os tratamentos de infertilidade não o sejam e, mais!, estão limitados a 3 por casal.

Ainda outra coisa que talvez não tenha percebido no meu comentário inicial: eu não sou uma pessoa do NÃO, como me acusa. Não deve é ter reparado que escrevi: "respeito imenso as mulheres que já tiveram e têm de o fazer porque a vida não lhes dá outra alternativa". Eu conheço uma destas mulheres e, por ela e outras como ela, sou uma pessoa do SIM. E rejeito por completo ser apelidada de hipócrita. A forma como eu entendo, questões como o aborto ou a eutanásia, são incompatíveis com com posições "100% a favor" ou "100% contra". Obviamente, admito que existam posições extremas mas não sou obrigada a aceitá-las.

Por isso, aceito a prática do aborto em determinadas circunstâncias de que me irei abster de lhe explicar porque me parece que também não estará muito interessada em percebê-las. Sabe, também me habituei ao facto de que, muitas vezes, as pessoas do SIM serem tão fundamentalistas que nem se dão ao trabalho de tentar perceber outras formas de pensar. Posso estar enganada, mas a forma como respondeu ao meu comentário inicial diz-me que não estarei muito enganada. Se estiver enganada, peço desculpa e, nesse caso, terei feito um julgamento errado, da mesma forma como o fez relativamente a mim. A única diferença é que consigo fazê-lo sem deixar de ser educada na forma como me dirijo a si.

Assim como assim, fico por aqui. Se precisar de mandar farpas, esteja à vontade. Elas passarão ao lado. Entretanto, seja feliz :)
Sem imagem de perfil

De Romeu Monteiro a 13.02.2014 às 22:40

" nenhuma pessoa de bom senso pode admitir que a senhora Maria tenha de pagar taxas moderadores se for operada a uma hérnia mas a dona Francisca não tenha de pagar nada se for abortar "

É, isto é muito engraçado mas também é mentira, já que as cirurgias não pagam taxas moderadoras: http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/Taxas%20moderadoras_quadro%20resumo.pdf
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 22:48

Que eu saiba, esta é a legislação mais recente sobre taxas moderadoras:

http://www.sg.min-saude.pt/NR/rdonlyres/6F4C9716-7ED5-4B28-9A04-2BEE1B728264/0/DecLei128_2012_2106.pdf

Veja, por favor, o artigo 8.º
Sem imagem de perfil

De Romeu Monteiro a 13.02.2014 às 23:53

Certamente as cirurgias virão incluídas num desses items; não consigo descortinar em detalhe tudo o que incluem. Caso contrário, terá sido certamente noticiado na imprensa que as taxas foram reinstituídas em 2012 ou depois disso (o link que lhe apontei, da ACSS, refere que cirurgias não pagam taxas moderadoras, e data de depois de 31/12/2011). Mostre-me um link de uma notícia sobre novas taxas em 2012 ou depois e acreditarei que elas voltaram a ser postas em vigor.
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 23:59

Supostamente, esta é a legislação em vigor, e não tem inscrita isenção para todas as cirurgias. Mas vou tentar averiguar isso.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.07.2014 às 17:12

Infelizmente, graças ao governo deste bloguista, as taxas moderadoras foram alteradas: http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/IsençoesTaxasModeradoras-Outubro_2013.pdf
Sem imagem de perfil

De Sílvia Correia a 13.02.2014 às 16:16

Compreendo e respeito a sua opinião mas não concordo.
Sou contra o aborto, a favor da sua legalização e favorável ao suporte dos seus custos por parte do estado (sim, de tudo o que mencionou no seu texto).
Não acho que haja equiparação possível entre a situação da Dona Maria e da Dona Francisca por muitas razões mas exponho apenas uma: nunca conheci uma mulher que tivesse vergonha de ter de ser operada às hérnias.
Dito isto, considero que o aborto é uma ocorrência ocasional na vida de uma mulher. A sua prática enquanto medida anticoncepcional deve ser desencorajada e até penalizada, se for caso disso.
Atendendo ao número de anos que a despenalização tem entre nós, a administração pública seguramente já tem dados suficientes sobre a prática do aborto em Portugal. Pode e deve usá-los para educar, introduzir pequenas alterações à lei se for caso disso, sensibilizar a opinião pública, etc.
No entanto gostaria de mencionar que na minha opinião esta é uma matéria em que o argumento "com o dinheiro dos meus impostos" é de muito mau gosto.
Não leve a mal!
Sem imagem de perfil

De Teresa Pinho a 13.02.2014 às 15:52

O João Miguel Tavares não acha que, se o Estado tivesse liberalizado mas não praticasse a intervenção gratuitamente no serviço nacional de saúde, as mulheres sem recursos que quisessem abortar continuariam a ter de recorrer às abortadeiras de vão de escadas e só as mulheres que antes da liberalização podiam ir a Badajoz teriam condições para fazer um aborto nas condições de higiene e segurança necessárias?
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 16:20

Mas porque é que toda a gente ignora a minha proposta sobre a sociedade civil pró-escolha se organizar para patrocinar os abortos a quem não pode pagar?
Sem imagem de perfil

De Teresa a 13.02.2014 às 16:50

Como não respondeu à minha pergunta e preferiu fugir com outra pergunta, vou assumir que a sua resposta seria sim.

A sua proposta sobre a sociedade civil pró-escolha se organizar para patrocinar os abortos a quem não pode pagar é, a meu ver, inexequível. Para além disso, acho até um pouco amoral essa ideia de que os nossos impostos devem pagar serviços de saúde apenas em circunstâncias de acordo com os nossos princípios. A lógica por detrás da introdução desse tipo de facciosismo no acesso a cuidados médicos legitimaria também que, por exemplo, se pedisse à sociedade civil fumadora (ou pró-fumadores) que se organizasse para patrocinar o tratamento de um cancro do pulmão a um doente que não o pudesse pagar.
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 16:58

Não, Teresa. Mil vezes não. Eu consigo perceber o argumento do inexequível, no sentido em que nesta terra o pessoal só se sabe associar para jogar à bola. Mas evite, por favor, as comparações com fumadores e cancros e não sei quê. O meu texto parte de uma premissa claríssima, que está logo na primeira linha: o aborto é diferente de tudo o resto. Obviamente, essa premissa não tem de ser aceite. Mas não vale a pena rebater os meus argumentos como se essa premissa não existisse.
Sem imagem de perfil

De LA-C a 13.02.2014 às 18:35

JMT, tu não podes estar a sério com essa ideia peregrina de que uma mulher que queira fazer um aborta e não tenha posses económicas para tal tenha de depender da caridade ou esmola alheia.
Isso é mesmo demasiado absurdo para ser levado a sério.
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 20:14

Ora essa, mas tudo o que não vem do Estado tem de ser considerado esmola? Se eu for receber um tratamento à Fundação Champalimaud isso é uma esmola?
Sem imagem de perfil

De LA-C a 13.02.2014 às 20:39

Ficas nas mãos deles. Há vários casos de pessoas que vão à Fundação Champalimaud e vêem o seu acesso recusado, porque a Fundação já tem os números de doentes de que precisa para os seus trials.
Evidentemente que tu ires à Fundação Champalimaud não é um direito que tens. É um pedido que fazes que pode ser aceite ou não, isto apesar dos milhões de euros que lá estão de dinheiro do Estado. Não lhe queres chamar caridade, chama-lhe outra coisa, mas que é ir lá pedinchar é. E que é achincalhante uma mulher não ter dinheiro para fazer um aborto e ter de ir pedir para que lho paguem também é.
Eu confesso que no início não te respondi a esta sugestão porque pensei mesmo que não era para levar a sério. Assim, sinceramente, é mau demais. Percebo melhor quem é contra e ponto final.
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 21:58

Meu caro, convém voltar sempre à minha premissa. Das duas, uma. Ou entendes que o aborto é mesmo uma questão única, incomparável com qualquer outra, e isso implica uma noção de vida como qualquer coisa de sagrado (não necessariamente no sentido religioso, mas como algo cujo mistério nos conduz a uma espécie de respeito pelo seu desenvolvimento e humildade diante dos limites do nosso conhecimento), ou então nada desta discussão interessa para nada.

Se tu perceberes isto, tu percebes que do outro lado há gente que acha genuinamente que o aborto é um crime. E percebes também que uma posição como essa não só deve ser respeitada, como, na sua base, é uma posição que filosoficamente coloca o ser à frente do não-ser - ou seja, que é uma coisa, chamemos-lhe com muita candura, bonita; certamente mais bonita do que a eliminação do que quer que seja que aquilo seja a pedido da mulher.

Esta é a minha premissa. Como é evidente, esta não é a tua premissa. Como não é a tua premissa, achas ridículo o que eu defendo. Tal como eu acho ridículo, sendo essa a minha premissa, aquilo que tu defendes: porque o incómodo de uma mulher percorrer 200 quilómetros, ou o incómodo de encontrar uma qualquer solução para ela poder abortar gratuitamente sem passar por usar o dinheiro do SNS em algo que não é uma doença (sendo que, ao mesmo tempo, o SNS não é capaz de dar resposta eficaz a inúmeras doenças), não é comparável à indignação de quem acha que aquilo é matar um ser humano.

Simplesmente, tu não achas que 1) aquilo é matar um ser humano, nem que 2) quem acha que aquilo é matar um ser humano está bom da cabeça. Donde, achas o que eu digo muito parvo. Mas eu, como não não faço ideia se 1) está certo e estou certo que 2) está errado, tento encontrar a tal solução de compromisso que tu desprezas. É apenas isso. Não vale a pena rasgar vestes, nem acharmo-nos mutuamente idiotas. Estamos apenas muito distantes um do outro nesta matéria.
Sem imagem de perfil

De LA-C a 13.02.2014 às 22:12

"Meu caro, convém voltar sempre à minha premissa. Das duas, uma. Ou entendes que o aborto é mesmo uma questão única, incomparável com qualquer outra, e isso implica uma noção de vida como qualquer coisa de sagrado (não necessariamente no sentido religioso, mas como algo cujo mistério nos conduz a uma espécie de respeito pelo seu desenvolvimento e humildade diante dos limites do nosso conhecimento), ou então nada desta discussão interessa para nada. Se tu perceberes isto, tu percebes que do outro lado há gente que acha genuinamente que o aborto é um crime. E percebes também que uma posição como essa não só deve ser respeitada, como, na sua base, é uma posição que filosoficamente coloca o ser à frente do não-ser - ou seja, que é uma coisa, chamemos-lhe com muita candura, bonita; certamente mais bonita do que a eliminação do que quer que seja que aquilo seja a pedido da mulher. Esta é a minha premissa."

Dessa premissa, eu entendo que alguém seja contra o aborto e ponto final. O que tu defendes é, desculpa lá que te diga, uma treta. És a favor da escolha individual, és a favor de uma alteração à lei que na prática deixa tudo como estava antes de haver alteração da lei, desculpa mas isso não é nem um meio termo nem uma solução de compromisso. É uma treta.

"Simplesmente, tu não achas que 1) aquilo é matar um ser humano, nem que 2) quem acha que aquilo é matar um ser humano está bom da cabeça.

Quanto a (2) estás enganado. Não me parece que seja necessário não estar bom da cabeça para defender tal.

Mas, para ser sincero, não me parece que quem considere que um aborto é matar um ser humano seja consequente. Se alguém acredita nisso, então, estando perante 20 000 homícidios por ano, só em Portugal, um autêntico holocausto, para ser consequente devia pegar em armas e combater pela defesa de tantas centenas de milhares de pessoas, não? Ou agora um tipo indigna-se porque estão a matar por ano 20 000 inocentes e depois apaga a luz e vai dormir?
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 22:30

Chiça, tantas simplificações - que é precisamente aquilo que eu estou a dizer desde o início que não existe aqui. Eu sou pessoalmente contra o aborto, ok? Significa isto que não gostaria que a minha mulher abortasse, nem que as minhas filhas viessem a abortar. Não por nada particularmente religioso, mas porque tenho um enorme respeito pelo milagre da existência, e cada vez que um espermatozóide fecunda um óvulo admito que daí venha a sair o tipo que vai descobrir a cura para o cancro - mais do que um novo Hitler.

No entanto, não vejo forma de compatibilizar isso com o direito a tua mandares no teu próprio corpo. Ou seja, acho mesmo que cada manda no seu próprio corpo, e portanto não se pode obrigar uma mulher a ter um filho que não deseja, a partir do momento que ele está a crescer dentro da pança dela.

Mais do que isso: não há forma de lhe impor uma visão da existência que ela não tem, de todo, de partilhar comigo. Eu acho que abortar é horrível e estou de boa fé. Ela acha que abortar não é horrível e está de boa fé. Os argumentos de cada um dos lados são razoáveis e incompatíveis. Donde, o que fazer? A minha resposta é: diante de um caso destes, liberdade para cada um (é por isso que sou liberal).

Dado o adiantado da hora e eu ter um milhão de coisas para fazer, poupa-me, por favor, à diferença entre vida, ser humano, pessoa humana e mais 500 distinções que poderíamos começar a fazer. Para mim, se bem te lembras do outro blogue, não é sequer igual matar um recém-nascido ou uma criança com dois anos. Acho mesmo que há graus nisso, e mesmo os católicos mais musculados sentem isso. Ainda assim, sabes que há malucos (sabes bem do que são capazes os tipos da extrema direita americana) que acham mesmo o aborto um Holocausto, portanto... Mas repara que eu não disse que era um homicídio. Disse que era um crime. E, como é óbvio, basta ser católico para achar que abortar é, efectivamente, um crime. O que digo, apenas, é: respeitamos seriamente quem acha que é um crime, porque é muito difícil saber o que um aborto efectivamente é.

Podes não concordar comigo, com certeza. Agora, achares que a minha posição não tem qualquer espécie de lógica interna, custa-me a perceber.
Sem imagem de perfil

De LA-C a 13.02.2014 às 22:53

"Chiça, tantas simplificações"

Se és uma pessoa séria, como julgo que és, vais imediatamente pôr 50 cêntimos no garrafão aí da vossa casa.
Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 23:49

Não sou assim tão sério. A blogosfera não tem garrafão.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.07.2014 às 17:52

Por acaso já viste alguma intervenção abortiva? Achas que se fa de ânimo leve?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.07.2014 às 17:26

Mas que queres, pôr um polícia junto a cada mulher grávida? A pessoa é livre de se matar, seja sózinha ou com uma criança dentro dela e não há nenhuma legislação que o impeça. O resto são moralidades da Igreja que se olhasse por ela abaixo tinha muito por onde abortar! Porque é que a igreja tem capelães nas FA? A guerra não é uma legitimação da morte? Isto não quer dizer que aprove abortos a torto e a direito, pois acho que só nos casos de impossibilidade/fraqueza física ou económica é que deve ser disponibilizado, acho é que é desgraça maior deixar vir um ser vivo ao mundo e não ter condições para uma vida condigna... sem as esmolinhas, moralistas, da Igreja e da sociedade hipócrita em que o dinheiro apaga as imoralidades!
Sem imagem de perfil

De Teresa a 13.02.2014 às 21:43

Mas então o João Miguel Tavares não acha que, se o Estado tivesse liberalizado mas não praticasse a intervenção gratuitamente no serviço nacional de saúde, as mulheres sem recursos que quisessem abortar continuariam a ter de recorrer às abortadeiras de vão de escadas e só as mulheres que antes da liberalização podiam ir a Badajoz teriam condições para fazer um aborto nas condições de higiene e segurança necessárias, certo?

Por favor, explique de que forma a sua sugestão dos patrocínios seria exequível. Não me ocorre nenhuma (quer recorrendo ao serviço público que seria posteriormente reembolsado pela tal organização, quer criando uma rede privada administrada pela tal organização), sobretudo tendo em conta que a descoberta da gravidez indesejada, a tomada de decisão sobre a interrupção da mesma, o pedido de intervenção, a confirmação de que não a podia pagar e a própria intervenção não poderiam ocorrer após 10 da concepção.

Imagem de perfil

De João Miguel Tavares a 13.02.2014 às 22:12

Cara Teresa, como certamente saberá, existem clínicas especializadas em abortos em Portugal. Bastaria criar uma associação, uma fundação, o que fosse - que até poderia ser parcialmente subsidiada pelos impostos de quem é pró-escolha - destinada a apoiar a minoria de mulheres (e deixe-me sublinhar aqui o minoria) que não pudessem pagar o valor da operação. Era mais incómodo para as mulheres? Era. Era mais difícil o Estado controlar o número de abortos? Era. Mas tudo isto só faz sentido para quem reconhece a especificidade do aborto e a legitimidade de quem entende que abortar é um crime. Se nada disto for reconhecido, é óbvio que para essas pessoas a minha proposta é um absurdo e não tem interesse nenhum (ver resposta minha acima, ao LA-C).
Sem imagem de perfil

De Teresa Pinho a 14.02.2014 às 16:31

Mas a mulher dirigia-se primeiro à findação para recolher uma espécie de cheque-aborto antes de ir à clínica privada? Se sim, como é que a fundação confirmava que a mulher não podia pagar? Os organismos estatais (Finanças, Segurança Social) forneciam dados à fundação privada? A clínica privada não teria meios para verificar se a mulher tinha ou não condições para pagar a intervenção, logo dificilmente arriscaria fazer a intervenção havendo risco de ver o seu pedido de reembolso recusado posteriormente.
A meu ver, haveria outro perigo: pela informação que corria na altura do referendo, era na altura possível encomendar pela internet medicamentos que, combinados entre si, tinham efeito abortivo por cerca de 20 Euros; se o aborto não fosse gratuito, o que levaria uma mulher mais irresponsável (podemos pensar numa adolescente que não pesa bem as consequências dos seus actos e acha que o que pode correr mal só acontece aos outros) a não preferir pagar os 20 Euros pelo medicamento e a receber posteriormente assistência no serviço nacional de saúde em vez de pagar uma intervenção numa clínica privada?

Quanto à solução dos impostos das pessoas pró-escolha, isso introduziria um principio de cidadania opt-in/opt-out ou cidadania à la carte, se preferir. E isso abriria um precedente que poderia ter consequências graves. Era a isso que me referia com o exemplo dos fumadores: se for dada a escolha de fazer opt-out de alguma coisa, muitos viriam dizer que então também era legitimo fazer opt-out de outras coisas com que não concordam e temo bem que, se fosse constitucional introduzir o opt-out na questão do uso de impostos para interrupções voluntárias da gravidez, seria inconstitucional não a alargar a outras questões.

E o João Miguel Tavares diz-me que não se pode ignorar a premissa base de que o aborto é diferente de tudo (e, talvez tenha percebido mal, mas achei a sua forma de o escrever lá em cima despropositadamente agressiva e indelicada). Não irei rebater a premissa, até porque eu concordo. Sou contra o aborto, não considero que um embrião seja um qualquer aglomerado de células e não me consigo imaginar a fazer um aborto por outro motivo que não o sofrimento do meu filho ou filha. No entanto, o que eu penso não impede outras mulheres de interromperem as suas gravidezes quando assim o desejam. Faziam-no quando era crime e fá-lo-iam se voltasse a ser crime ou apenas deixasse de ser gratuito. Há sempre soluções à medida das suas bolsas e o que me levou a votar sim nos referendos foi, em primeiro lugar, a preocupação com as soluções às medidas das bolsas mais pequenas. A ser feito, que seja de forma segura e sim, no sistema público que as pode reencaminhar para consultas de planeamente familiar e não em clinicas que fazem o seu trabalho e lavam daí as suas mãos. A segunda razão foi perceber que, ainda que para mim um aborto seja de facto diferente de tudo o resto, para pessoas que pensam de forma diferente é uma intervenção médica como outra. Ou seja, a premissa de que o aborto é diferente de tudo não é universal. Tentar discutir a questão acreditando que é universal dificilmente gerará um diálogo frutifero mas apenas uma troca de argumentos expressos de forma exaltada e que, dado o ruído das vozes elevadas, se perdem totalmente.
Sem imagem de perfil

De Kate Guimaraes a 13.02.2014 às 11:54

Quanto ao aborto, sou a favor da sua legalização e sou a favor da sua prática em hospitais públicos, ainda que concorde que as mulheres que abortam tenham de estar sujeitas a pagar taxas moderadoras tal como quem é operado a uma hérnia. E a baixa médica seria só dada se esta de facto tivesse sofrido alguma coisa que a impedisse de trabalhar, pelo período em que estivesse lesionada.

Porque para mim as mulheres que decidem abortar devem ser respeitadas e devem poder ter as condições mínimas para a sua opção. E porque no que toca a matar ou não uma criança, não vejo qual a diferença para outros indivíduos que maltratam a sua própria vida por falta de cuidados alimentares e físicos.

Porque é que o contribuinte terá igualmente de pagar todos os tratamentos aos diabéticos e obesos que só o são porque se empanturram de doces e gorduras e não desalapam o rabo do sofá para dar um passeio a pé? Pode não ser um potencial de vida, mas é as suas próprias vidas e sai igualmente caro.

(Se não estou em erro, os diabéticos também estão isentos de taxas moderadoras o que acho igualmente injusto para o resto da sociedade)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.10.2014 às 14:36

O meu pai tem diabetes hereditário (sempre se cuidou na alimentação pelo risco que sabia sofrer). Teve um AVC. É obrigado a ir à fisioterapia. A pagar 400 euros em taxas moderadoras.
Acho mais injusto eu ser isenta, só porque sou dadora de sangue. Agora, está-me a dizer que uma miúda que vai abortar porque não tomou precauções tem o mesmo estatuto que o meu pai? Isso eu não acho, lamento.
Sem imagem de perfil

De Kate Guimaraes a 14.10.2014 às 10:16

Caro Anonimo,

Se o seu pai tem diabetes hereditário, penso que deveria ter todo o direito a ter isenções de taxas moderadoras.

Em relação as miúdas que abortam, eu so acho que estas devem poder faze-lo em hospitais públicos, pagando as taxas que lhe sao devidas. Pela mesma razão que ha tantas pessoas que recorrem ao sistema nacional de saúde por nao terem tomado as precaucoes necessarias, como o caso das pessoas que vao parar as urgencias por coma alcóolico, outros diabéticos nao heridatarios que nao cuidam da sua propria saúde, etc...

Cumprimentos,
Kate
Imagem de perfil

De Sofia Almeida a 27.10.2014 às 13:28

" E porque no que toca a matar ou não uma criança, não vejo qual a diferença para outros indivíduos que maltratam a sua própria vida por falta de cuidados alimentares e físicos.

Porque é que o contribuinte terá igualmente de pagar todos os tratamentos aos diabéticos e obesos que só o são porque se empanturram de doces e gorduras e não desalapam o rabo do sofá para dar um passeio a pé? Pode não ser um potencial de vida, mas é as suas próprias vidas e sai igualmente caro.

(Se não estou em erro, os diabéticos também estão isentos de taxas moderadoras o que acho igualmente injusto para o resto da sociedade)"

Kate, eu acho que esse argumento é perigoso. Se achamos que os diabéticos não merecem ser insentos de taxas moderadoras porque não se alimentaram como deve ser, daqui a pouco estamos a defender que o Estado não deveria comparticipar a 100% os medicamentos para o HIV ou para as hepatites porque foram os doentes que tiveram comportamentos de risco. Ou que não devia gastar dinheiro dos contribuintes com o tratamento de doentes com cancro de pulmões ou de pele porque foram os doentes que andaram a fumar e estiveram ao sol sem protetor. Ou que deviam interromper os tratamentos no SNS a vítimas de acidentes de automóvel quando se descobre que estas estavam em excesso de velocidade e/ou conduziam sob o efeito de álcool ou drogas ou estavam, pura e simplesmente, podres de sono. Ou que não deviam permitir consultas a doentes com gripe no SNS porque foram os doentes que não se agasalharam ou estiveram em contacto com pessoas doentes. Ou outro de milhares de exemplos possíveis. Em quase todas as doenças, existe sempre um grau de responsabilidade do doente, se isso fosse um critério de exclusão quase ninguém teria direito a tratamento no SNS.
Sem imagem de perfil

De Kate a 27.10.2014 às 23:56

Pois é exactamente aí que eu quero chegar Sofia.

Da mesma forma que não excluímos os outros que, por negligência ou não, têm de recorrer ao SNS, também não devemos excluir as mulheres que desejem praticar o aborto, desde que paguem as respectivas taxas moderadoras…

Enxotá-las para as as clínicas privadas é que não me parece justo…

Cumprimentos,
Kate
Imagem de perfil

De Sofia Almeida a 28.10.2014 às 11:27

Sim, nesta concordo com o João, não acho que faça sentido isentar os abortos das taxas moderadoras. Não tanto pela questão dos pró-Não, mais para dissuadir as pessoas de recorrerem ao aborto como se fosse um método contraceptivo quando, se não me engano, estes até podem ser adquiridos gratuitamente em centros de saúde.
Sem imagem de perfil

De Kate Guimaraes a 29.10.2014 às 10:26

Sofia, não foi isso que o JMT defendeu no seu texto.

JMT defendeu que o governo fez bem em despenalizar o aborto, mas que este não deveria ser practicado em hospitais públicos.

"Contudo, o Estado, depois de despenalizar, deveria ter-se afastado desta matéria. Ou seja, liberalizava, mas não praticava: permitia o aborto até às 10 semanas, visto ser essa a vontade da maior parte da população, mas não permitia que, fora dos casos já previstos na lei anterior, ele fosse praticado em hospitais públicos, com o dinheiro de todos, incluindo daqueles que entendem que o aborto é a morte de um ser humano."

Eu concordo que quem aborta não deve ter os mesmos privilégios de quem dá a luz, mas não concordo que seja apenas possível abortar em clínicas privadas.

Acho que deve ser practicado em hospitais públicos, no entanto, devem ser cobradas as respectivas taxas moderadoras...

Cumprimentos,
Kate
Imagem de perfil

De Sofia Almeida a 29.10.2014 às 23:25

Ah, tinha-me baralhado... Sim, concordo consigo, Kate.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 13.02.2014 às 11:51

Absolutamente de acordo.

Comentar post




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Para ler o jornalista a falar da família



Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D




Favoritos