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A casa dos animais

por João Miguel Tavares, em 28.01.14

O meu texto de hoje do Público é dedicado ao maravilhoso fenómeno das praxes. Para ler aqui.

 

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15 comentários

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De cão para adoção a 12.02.2014 às 10:49

as praxes é a coisa mais ridícula e vi, dar poder a algumas pessoas acaba sempre em abusos, por isso deviam ser banidas, as universidades são responsáveis por não proibir, tanta coisa sobre o bulling e depois nisto ninguem liga, porra para essa gentalha apanhada a praxar deveriam ser expulsos dos repetivos cursos. ponto final, ou a univercidade é para estudar e formar pessoas decedentes com o respeito por valores basicos do individuo
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De Susana a 04.02.2014 às 18:48

Sr. João, devo, primeiramente, dizer-lhe que de todos os textos que tenho lido da sua autoria, este é o primeiro que me parece ter sido escrito por toda a gente menos por si. E porquê? Porque me espanta que não consiga separar o que é um abuso do que é uma praxe. Os acontecimentos do Meco, bem como muitos outros acontecimentos que ocorreram em altura de praxes e foram noticiados não são praxe. São CRIME. Praxe e crime são duas coisas totalmente diferentes. Neste sentido, o importante não é acabar com as praxes, o importante é acabar com os crimes. Dizer que praxar é ir contra a integridade das outras pessoas ou que as humilha é um erro, porque quando isso acontece, não é praxe. O importante seria pois legislar de modo a evitar que esses abusos não acontecessem, o importante seria a educação começar a partir de casa, a partir dos jovens, seria incutir em todos nós que o respeito é fundamental. Porque o problema da falta de respeito e dos abusos não é com toda a certeza responsabilidade das praxes, porque estas, quando realmente são praxes, transmitem tudo, menos falta de educação e respeito.
Para terminar, tenho muita pena que o Sr. João afirme com tanta convicção que um universitário que abrace a praxe seja irresponsável mas concordo inteiramente consigo quando diz que "nenhum jovem bem formado aceita participar na humilhação organizada de alguém que é mais fraco do que ele." , porque pessoas bem formadas, sejam jovens ou velhas não humilham as outras.

Susana
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De Renato a 05.02.2014 às 10:52

Muito bom dia, tenho ouvido várias opiniões contra e a foavor da praxe, ambas um pouco extremistas de mais para o meu gosto. O que ainda não ouvi foi uma definição clara do que é a praxe, se fosse possivel gostaria que me elucidasse em relação a isto porque o que me parece a mim é que o unico argumento de defesa à praxe que tenho ouvido é a de que as humilhações que vemos na comunicação social não são praxe.
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De João Miguel Tavares a 05.02.2014 às 11:39

É isso mesmo, Renato. A praxe é sempre qualquer coisa de ouro que raramente se vê ser praticado.
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De Susana a 05.02.2014 às 21:17

Praxe é transmitirem-nos o sentimento de que sempre que estivermos na faculdade e olharmos para o lado podemos contar com quem nos rodeia. Praxe é transmitir que todos somos iguais, todos merecemos o mesmo, lutamos pelo mesmo e nos devemos ajudar uns aos outros em vez de nos pisarmos para sairmos por cima. Praxe é rir e cantar, fazer jogos e falar. Praxe não é humilhar, praxe é criar amizades e pessoas para a vida. Praxe é ensinar que existem diferentes tipos de família e que podemos criar uma na faculdade.

Susana
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De Renato Leal a 05.02.2014 às 22:57

Boa noite, Susana.
Se a praxe é o que disse então terá de concordar comigo de que aquilo a que assistimos na televisão não é praxe. Eu já estudei numa Universidade e sim, tínhamos momentos, que eram externos à praxe, em que cantávamos e brincávamos e partilhávamos histórias, nomeadamente em serenatas e cortejos, e ai sim, senti-me integrado. Devo confessar que nunca fui vitima de praxes violentas, fiz algumas idiotices que nunca me fizeram sentir inferior ou humilhado, tive a sorte de conhecer pessoas ponderadas e com sentido civico. Mas conheço pessoas que foram vitimas de praxes humilhantes, que desistiram e que por isso não puderam partilhar comigo momentos de brincadeira e partilha.
Eu não penso que isto seja justo e acho que vai concordar comigo, temos de instituir aos jovens um sentido de solidariedade para que eles possam fazer uma serie de regras pelas quais se devem reger as praxes de todas as Universidades de todo o país.
É a isso a que me refiro quando peço uma definição de praxe.
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De Susana a 06.02.2014 às 14:48

Nesses aspectos estou inteiramente de acordo, dizer que em todas as faculdades do país as praxes são como devem ser e que não existem quaisquer tipos de abusos ou humilhações é mentir. Existem casos de "praxes" levadas ao extremo, mas aí é que está, isso não é praxe e o que deveria ser feito era legislar de forma a que estivesse bem explicito o que é ou não praxe.
Mas uma coisa é certa, havendo ou não legislação sobre praxes, são pessoas que cometem esses abusos que apelidam de praxes, e se exitem pessoas capazes de tal, o problema não está na legislação, o problema está na educação e princípios que estão a ser transmitidos aos jovens, tanto nos que os fazem como os que os aceitam. Os jovens devem ser educadas com a noção de respeito e de opinião/vontade própria. Legislar e não ensinar, de nada serve.
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De João Miguel Tavares a 05.02.2014 às 11:38

Obrigado ela opinião, Susana. Eu irei contestar alguns dos seus argumentos no Pais de Quatro.
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De Rui Guimaraes a 31.01.2014 às 05:41

Boa tarde,
Não conhecia este blog nem tão pouco os artigos que escrevia no Público apesar de ser um jornal que leio.

Acho curioso referir no texto a qualidade da jornalista da TVI quando agora na sua reportagem seguinte se vê como esta faz o seu trabalho (de certo que também já está a par desse assunto).

Mas o que lamento mesmo é ver o país com outras questões tão pertinentes e quem tem a possibilidade de escrever de forma pública (como o faz neste jornal) opte por comentar "praxe". Não tenho a mínima dúvida que a praxe tem episódios lamentáveis e esses tem de ser extintos, mas tenho a certeza também, por os ter vivido (e isso pode escrever o que quiser que não me pode tirar), que tem muito de bom e que não passa pela humilhação nem nada perto dos episódios que passam em todos os noticiários (e já no meu tempo passavam).

Assim não compreendo porque escreve textos de críticas demagogas (e aqui não me estou a referir à praxe) quando assuntos como os eternos recibos verdes (vivo no estrangeiro e quando contei de casos como pessoas que trabalham 6 anos para a mesma empresa a recibos verdes também acharam inconcebível), abusos de patrões a empregados com salários abaixo dos mínimos, álcool nas estradas sem penas sérias (mesmo causando mortes) são totalmente esquecidos (nem o vai e vem da praxe tem). Isso sim faz-me sentir humilhado... e faz humilhar muitos. Mas sim continuemos a falar de praxe...

O jornalismo fraco, como considero todo este que se está a fazer recentemente, que tenta influenciar massas com os assuntos que fazem vender (ou neste caso ler) também é o mesmo que alimenta a praxe de mais baixo nível (que infelizmente sei que há, não o nego, e me oponho como sempre opus, assim como todos perto de mim -mais velhos ou mais novos- quando por lá andei). A acrescentar a isto há a procura de atenção de leitores, de ordenar, de dizer como se devem comportar os carneirinhos (neste caso, estes mesmo leitores). Vejo o meu tempo de faculdade distante (já acabei o curso há perto de 10 anos, no tempo correcto e com boa notas apesar, espante-se, de ter estado em praxe) e olho para estes artigos todos com a ironia de que aquilo que fazem acaba por ser aquilo que exactamente criticam na praxe.

De novo, sim, falemos de praxe... não há mais nada de importante para se falar...

Rui Guimarães
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De Rui Correia a 29.01.2014 às 19:02

Li o seu artigo.
Está correcto em toda a linha com excepção de um pormenor apenas: a "praxe", em sentido genuíno, não é aquilo que descreve. O que descreve, e contra o qual se insurge, são comportamentos que extravasam o conceito de praxe, sendo sim parvoíce ou abuso injustificado e porventura criminoso.
Felizmente conheço o conceito genuíno de praxe. E por isso, sempre que ouço comentários ou opiniões negativas a primeira coisa que pergunto é: "Foi praxado?" (é incrível o número de pessoas que falam do que não sabem. )
A segunda pergunta é: "que universidade é que frequentou?" Se a resposta for Coimbra, irei estranhar, pois essa não é a regra (ou pelo menos não era, agora já não sei). Se a resposta for qualquer outra universidade, então é porque não sabem o que é praxe.
Em suma, chame as coisas pelos seus nomes correctos pois a praxe não é nada daquilo a que se refere.
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De Patrícia a 28.01.2014 às 17:58

Estudei em Coimbra, fui praxada e praxei. Sempre soube muito bem a diferença entre praxe e parvoíce (ao praxar e ao ser praxada). As colegas que me praxaram nunca excederam os limites do que deve ser uma simples brincadeira e foram as mesmas que me levaram a conhecer a cidade e a faculdade e me explicaram todas as regras de sobrevivência.
Na minha última noite como caloira tive uma praxe que me faz sorrir quando a recordo. Fui plantar-me às 21h à frente das escadas da Sé Velha para ver de perto a Serenata, que começava à meia-noite. Digamos que me pus a jeito... Os finalistas que ali passaram todo o dia sentados a marcar o lugar pediram à caloira que fizesse a gentileza de cantar uma canção para eles, que estavam cansados de estar ali todo o dia a cantar. Acedi com boa disposição. Fui em seguida brindada com um sonoro FRA, como forma de agradecimento.
Esta é a praxe que conheço e da qual tenho excelentes recordações. Tenho pena que haja uns quantos bandos de palermas a usar a figura da praxe para canalizar as suas frustrações e inseguranças e revelar todas as suas deficiências de formação enquanto cidadãos.
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De isabel leite a 28.01.2014 às 11:54

Caro João

Fui aluna da Lusófona, curso de ciências farmacêuticas fui praxada e praxei e nunca se cometeram excessos de nenhuma natureza pelo menos enquanto lá andei. Tenho saudades desse tempo era uma semana onde conhecíamos os novos colegas e eles nos conheciam a nós e posso dizer que gostei mais de ser praxada do que praxar, foi nessa semana que conheci os meus melhores amigos. E o que é que aconteceu nessa semana terrível? usei uma t shirt a dizer caloira que ainda hoje a tenho, usei um penico na cabeça, andei de cara pintada, gritava as canções do meu curso, andei por lisboa a fazer um rali tascas e fui batizada no lago do campo grande para finalizar um jantar do caloiro maravilhoso. Nota se que sofri imenso, não sou contra nem a favor da praxe eu sou contra aqueles que acham-se mais que os outros e "praxam" se aquilo se pode chamar praxe. Tenho boas recordações e acho que não se deve generalizar porque nem todas as praxes são más é como nas profissões à bons e maus profissionais. Não posso falar de outras praxes mas da minha experiencia não concordo de todo com o que o João falou nunca fui humilhada e nunca fizeram nada contra a minha vontade nem nunca humilhem ninguém a ideia da praxe não é essa. Acho que o João faz mal em generalizar e fala e escreve sem conhecimento de causa, eu passei por lá e defendo que no meu caso não foi assim.
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De Nuno Faria a 28.01.2014 às 12:45

humm. mas o sofrimento tem de fazer parte da cena?
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De Isabel leite a 28.01.2014 às 13:13

Mas qual sofrimento? não o sofrimento não tem de fazer parte da cena a ideia não é essa a ideia, a ideia é entrar numa vida académica da forma mais divertida possível. Bolas ! a malta entra para a faculdade é uma etapa da vida que só se vive uma vez não entramos para a universidade para sofrer mas para nos divertirmos fazer novos amigos e como é óbvio estudar. Eu não sei o que se passa nas outras universidades mas no meu curso quem queria participar na praxe participava quem não queria ia para as aulas, nunca fui atrás de nenhum caloiro para ele ir para a praxe. Ninguém era obrigado a participar.
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De Miguel Serra a 28.01.2014 às 13:57

O único sofrimento que senti proveniente praxe foi o facto de deixar de ser caloiro. Não sou masoquista. Não há sofrimento! Há sim "awkward situations". Devo ter sido um dos caloiros mais praxados do meu ano. Na altura, e agora, ri-me que nem um perdido. Mas há aqui uma questão. A praxe tem um código (pelo menos em Coimbra!) e ele tem de ser cumprido por todos! Isso inclui não colocar nenhum aluno em perigo, ou em situação que não se sinta confortável. Claro que quem não vivia a praxe não pode usar as insígnias (capa traçada e pasta, principalmente) e quem recusava, por achar que estava a ser "abusado" poderia enfrentar o tribunal de praxe e defender-se. A pena por não cumprir o código é não usar as insígnias da praxe, seja caloiro ou doutor! E acreditem que, para a maioria dos estudantes de Coimbra, é uma verdadeira honra viver a praxe, traçar a capa na Porta Férrea, apadrinhar os que vêm e rasgar os que vão.

Sinto que fiz coisas idiotas, mas podia ter dito não a qualquer momento, mas não tenho qualquer arrependimento (também não me esfregaram a cara com excrementos, algo que o código da praxe não permite).

Dura Praxis, Sed Praxis!

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