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1. Os genes dos Rolling Stones deveriam ser preservados para a eternidade, a bem da ciência. Mick Jagger não só continua a parecer, aos quase 71 anos de idade, um adolescente escanzelado, como continua a pular e a cantar como se fosse um adolescente escanzelado. O homem já é bisavô, por amor de Deus - há dez dias a primeira filha da sua segunda filha deu à luz uma menina (eu sei que isto pode parecer confuso, mas Jagger tem sete filhos de quatro mulheres diferentes). Uma pessoa olha para ele e pensa: "Chiça, os bisavôs dos meus putos estão todos mortos e as bisavós não se mexem assim. Eu quero aqueles genes!" Devo dizer que o mais parecido que vi com isto foi o grande Compay Segundo, o famoso músico cubano do Buena Vista Social Club que morreu aos 95 anos de idade, ainda a cantar e a tocar, apesar de acender os charutos da avó desde os sete anos de idade. Durante duas horas, Jagger não parou de cantar, de correr e de falar português manhoso. Foi grande. A terceira idade já não é o que era - sobretudo porque os Rolling Stones não são propriamente um exemplo de vida saudável e regrada.

 

 

2. O Bruce Springsteen é o maior. Já se sabia que ele estava por Lisboa, em visita à sua filha Jessica, que está a participar numa prova hípica. Um cabeleireiro da Rua Castilho havia inclusivamente colocado no Facebook uma foto sua, de cabelinho cortado. O que não se sabia é que o Boss se juntaria a Sir Michael Philip (Mick, para os amigos) no palco da Bela Vista, onde já havia feito história há dois anos. Tocaram e cantaram juntos uma belíssima versão de "Tumbling Dice", e embora desta vez não tenha existido Ana Moura como convidada especial, dificilmente se pode argumentar que tenhamos ficado a perder. Ah, já agora: o cabelinho de Bruce estava excelentemente aparado.

 

3. Eles sabem escolher os seus convidados portugueses. Já disse que não houve Ana Moura, mas em compensação houve o coro português Ricercare, que eu não sei como é que foi parar a um palco com os Rolling Stones, mas adoraria saber (espero que alguém já esteja a tratar dessa reportagem). Deve ter sido uma das grandes experiências da vida dos seus membros, e a verdade é que eles abrilhantaram em grande estilo uma versão com introdução coral de "You Can't Always Get What You Want". Os Stones ganham uma pipa de dinheiro por concerto, como se sabe - mas eles trabalham, e trabalham a sério.

 

4. Afinal, Charlie Watts é que é o maior. O baterista dos Stones vai fazer, na próxima segunda-feira, 73 anos. Além de, como é hábito nos bateristas, ser o gajo porreiro do grupo e de nos anos 60 e 70 ter evitado orgias com groupies (um feito digno do Guiness), continua a martelar naqueles tambores com uma classe e uma energia espantosas. Não haverá lesões musculares? Distensões? Roturas? Tecidos que cedam debaixo de tanta martelada? Pelos vistos, não. Durante o concerto havia uma câmara em contrapicado colocada na bateria, que estava sempre a mostrar a sua envelhecidíssima cara. Watts parece uma múmia saída directamente do Museu Britânico: quando olhamos para ele, parece que vai abaixo com um sopro. Só que está possuído: quando começa o bum-bum-bum, impõe respeito a qualquer um. Não sei o que é que Cristiano Ronaldo está à espera para começar a receber tratamentos do fisioterapeuta de Charlie Watts. Será provavelmente a única forma de estar em forma quando arrancar o Mundial. 

 

5. Os gajos mantêm a juventude tocando com a juventude. Nada obrigaria os dinossauros do rock'n'roll a convocar o homem que ocupou o palco principal antes deles para uma pequena jam session. Mas foi isso que aconteceu com o texano Gary Clark Jr, que tocou um bluesy "Respectable" na companhia dos Stones. Qualquer espectador ficaria satisfeito com os Stones a tocarem os êxitos dos Stones sem mais ninguém além dos Stones. Mas a verdade é que houve Springsteen, houve Gary Clark e houve o coro português Ricercare, sintoma de que o quarteto não deixa os seus créditos por mãos alheias. Dá aquele ar de que encontraram Springsteen no Bairro Alto e Clark nos bastidores e lhes disseram "não querem vir ali dar umas guitarradas connosco?". E eles foram. Isto são bisavôs com mentalidade de bisnetos.

 

6. É a qualidade média que define os melhores. Não se pode dizer que os Rolling Stones no Rock in Rio tenha sido um concerto extraordinário, daqueles que aluga um T1 no prédio da nossa memória para todo o sempre. Mas foi um grande, grande concerto porque os Stones são os Stones: uns profissionais do caraças que nunca descem abaixo do 17 ou 18 - e esse 17 ou 18 torna-os melhores do que 90% das bandas que estão na estrada, mesmo quando elas estão a 100%. Mesmo em velocidade de cruzeiro, Mick Jagger e companhia são autênticos galgos do rock'n'roll.

 

7. Não, espera: afinal o maior não é Bruce Springsteen nem Charlie Watts, mas Keith Richards. Não foi pelo que tocou na guitarra, pela fita que trazia na cabeça ou por ter snifado as cinzas do próprio pai. Embora ele tivesse tocado muito, a fita fosse impecável e a história das cinzas do pai seja incrível (embora mentira). Foi porque lhe coube a grande punchline da noite. Keith Richards, o maior, aproximou-se do microfone e declarou: "It's good to be here." A multidão, claro, aplaudiu muito. Mas depois ele acrescentou, porque Keith Richards nunca mente: "It's good to be anywhere." Que profeta.

 

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Rock in Rio aqui vou eu

por João Miguel Tavares, em 29.05.14

Dado que neste blogue, ao contrário do originalmente prometido, só têm estado a aparecer textos sobre política, o pessoal amigo da Sapo resolveu perguntar-me se eu não queria ir ao Rock in Rio e escrever para aqui, só para mudar um bocado de agulha.

 

E eu: eeeeeehhh.

 

E o pessoal da Sapo: "Vá lá, vai ser giro!"

 

E eu: eeeeeehhh.

 

Mas depois concluí que já começo a parecer um velhinho e só ainda tenho 40 anos - e os 40 são os novos 30. Portanto, Rock in Rio, aqui vou eu!

 

Durante os próximos quatro dias estarei neste blogue a dar novidades e a cobrir (tipo, mais ou menos) o festival, como se fosse um teenager e regressasse aos meus tempos de jornalista da secção de música. E, claro, vou começar em grande, com este senhor. Como diria Roberta Medina, "me aguardem".

 

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Simplesmente patético

por João Miguel Tavares, em 29.05.14

Eis o meu texto de hoje no Público, sobre a tristíssima figura que António José Seguro está neste momento a fazer. Para ler aqui.

 

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A abstenção e a oposição

por João Miguel Tavares, em 27.05.14

Hoje, no Público, tento explicar porque é que a abstenção não é assim tão má quanto a pintam. Para ler aqui.

 

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O vencedor é o grande derrotado

por João Miguel Tavares, em 26.05.14

No Público de hoje, escrevo sobre os resultados das eleições europeias. Para ler aqui.

 

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Elogio da Europa

por João Miguel Tavares, em 22.05.14

Em véspera de eleições, um elogio da Europa, que ela está a precisar bastante - e nós também. Para ler aqui.

 

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Propaganda governamental

por João Miguel Tavares, em 20.05.14

Hoje escrevo no Público sobre os quatro documentos que o governo nos ofereceu no intervalo de apenas 15 dias. Para ler aqui.

 

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A CNE e o Facebook

por João Miguel Tavares, em 15.05.14

Sabe que no dia 24 e 25 de Maio não pode escrever o que lhe vier à cabeça no Facebook? Ah, pois é. Auto-censure-se, meu caro: senão a CNE pode chamá-lo à razão.

 

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A culpa é sempre da austeridade

por João Miguel Tavares, em 13.05.14

Hoje, no Público, escrevo sobre a notícia da mulher com cancro deixada à porta de uma igreja e a forma como tantas vezes entortamos a realidade para que ela possa encaixar na nossa narrativa pré-definida. Para ler aqui.

 

 

 

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Cavaco contra Cavaco

por João Miguel Tavares, em 08.05.14

O meu texto de hoje no Público conta como Aníbal Cavaco Silva atacou selvaticamente Aníbal Cavaco Silva no Facebook. Para ler aqui.

 

 

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