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Nostalgia do que nunca existiu

por João Miguel Tavares, em 31.12.13

No meu texto de hoje no Público acabo 2013 em tom um pouco mais optimista, e procurando desconstruir o nosso discurso fatalista e a nossa exagerada tendência para mitificar o passado. Para ler aqui

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Um caso de honestidade intectual

por João Miguel Tavares, em 30.12.13

Os textos que o Luís Aguiar-Conraria vai assinando intermitentemente no Público são um consolo para uma alma de direita como a minha, que raramente encontra à sua esquerda alguém com quem discutir com alguma racionalidade. O texto de balanço do ano que ele hoje assina no Público é óptimo, porque indepentemente de eu concordar com as suas opiniões, há uma permanente honestidade intelectual nos seus argumentos - uma característica que deveria ser a coisa mais banal deste mundo mas que, no entanto, é de uma confrangedora raridade neste triste rectângulo onde há mais demagogos do que eucaliptos. Essa honestidade intelectual vê-se em frases como esta:

 

Não é claro se o TC salvou o Governo das suas próprias políticas, ou se, pelo contrário, salvou a oposição do seu discurso, ao permitir-lhe construir uma narrativa da recuperação económica em torno do chumbo constitucional.

 

Eu e ele temos em comum a necessidade de mudar urgentemente a fotografia com que aparecemos no jornal, mas por detrás deste ar de quem acabou de ser apanhado numa operação stop

 

 

está uma das pessoas que neste momento mais vale a pena ler em Portugal. Não o percam de vista (apesar da foto).

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O que nos disse o Constitucional

por João Miguel Tavares, em 26.12.13

O meu texto de hoje no Público debruça-se sobre o conteúdo do acórdão do Tribunal Constitucional sobre a convergência de pensões. Para ler aqui.

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Por um Natal sem crises

por João Miguel Tavares, em 25.12.13

O meu texto de ontem no Público era sobre aquilo que se pode e não se pode dizer sobre a crise. Para ler aqui.

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Mau jornalismo

por João Miguel Tavares, em 19.12.13

Este chumbo do Constitucional é mais um momento marcante da legislatura, e Joaquim Sousa Ribeiro, presidente do Tribunal Constitucional (TC), tem uma grande qualidade: dispõe-se a falar para a comunicação social e sabe explicar-se bastante bem. Não é redundante, não é obscuro e é didáctico no bom sentido da palavra. Infelizmente, as televisões devem achar o senhor muito aborrecido: ainda estava ele a meio das suas explicações quando todos os canais decidem abandonar o directo para ir escutar a reacção de... Jerónimo de Sousa.

 

Ora, eu diria que há ai um triplo desrespeito. 1) O desrespeito das televisões para com o presidente do TC, que merece 15 minutos em directo nos telejornais para explicar uma decisão tão importante quanto esta. 2) O desrespeito de Jerónimo de Sousa (e a seguir do Bloco) para com o presidente do TC, decidindo intervir sem esperar a conclusão das suas declarações. 3) O desrespeito das televisões para com os seus espectadores e para com os cidadãos deste país, que devem ser tratados como adultos e merecem compreender aquilo que está em causa.

 

Abandonar um directo de Sousa Ribeiro para ouvir Jerónimo de Sousa, ou seja quem for dos partidos representados no Parlamento, papaguear aquilo que todos sabemos que irão dizer ainda antes de abrirem a boca, é, finalmente, um desrespeito pela nossa inteligência e um reflexo pavloviano do jornalismo pé de microfone. Ponham os miolos a funcionar, se faz favor.

 

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A esquerda matrioska

por João Miguel Tavares, em 19.12.13

O meu texto de hoje do Público dedica-se à análise das convergências divergentes da esquerda portuguesa. Para ler aqui.

 

 

 

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O Papa pôs o pé na poça #2

por João Miguel Tavares, em 17.12.13

A propósito deste meu post sobre uma frase dita pelo Papa ("a ideologia marxista está equivocada, mas na minha vida conheci muitos marxistas bons como pessoas, por isso não me sinto ofendido") em entrevista ao La Stampa, vários leitores levantaram objecções interessantes que vale a pena comentar.

 

O Pedro aconselhou a ler a resposta do Papa na totalidade, o que me parece sempre uma boa sugestão. Aqui vai ela (a tradução foi tirada daqui):

 

Alguns trechos da "Evangelii Gaudium" atraíram-lhe as acusações dos ultraconservadores norte-americanos. Qual é a sensação de um papa ao ouvir que é definido como "marxista"?

A ideologia marxista é equivocada. Mas, na minha vida, eu conheci muitos marxistas bons como pessoas, e por isso eu não me sinto ofendido.

 

As palavras que mais chamaram a atenção são aquelas sobre a economia que "mata"...

Na exortação, não há nada que não se encontre na Doutrina Social da Igreja. Eu não falei de um ponto de vista técnico. Eu tentei apresentar uma fotografia do que acontece. A única citação específica foi sobre as teorias da "recaída favorável", segundo as quais todo o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue produzir por si só uma maior equidade e inclusão social no mundo. Havia a promessa de que, quando o copo estivesse cheio, ele transbordaria, e os pobres seriam beneficiados com isso. O que acontece, ao invés, é que, quando está cheio, o copo magicamente se engrandece, e assim nunca sai nada para os pobres. Essa foi a única referência a uma teoria específica. Repito, eu não falei como técnico, mas segundo a doutrina social da Igreja. E isso não significa ser marxista.

 

De facto, por aqui se vê que a ideia original do Papa é desmarxizar a sua exortação, acabando, no entanto, esta passagem por ganhar o efeito contrário ao pretendido quando se puxa para título "Papa afirma não se sentir ofendido quando lhe chamam marxista". A frase é factualmente verdadeira, e tendo em conta que as entrevistas que o Papa concede são certamente passadas a pente fino pelos serviços do Vaticano, este é o típico caso em que Francisco se pôs a jeito, e não se deveria ter posto.

 

Diz o leitor Luís Filipe Viegas, acusando-me de não perceber "nada de catolicismo e marxismo":

 

Primeiro porque sou marxista e católico; segundo, porque o marxismo defende o fim da exploração, e creio que o Papa (...) também defende o mesmo.

 

Ora vamos cá ver, porque esta é uma ideia tão divulgada que merece resposta detalhada, já que me parece de uma injusta candura em relação à História e ao próprio marxismo: reduzir as propostas de Karl Marx ao "fim da exploração" é assim como reduzir a ideologia do senhor Adolfo à organização de grandes eventos militares. Ou seja, é uma simplificação terrível de todo o processo para se chegar ao objectivo pretendido.

 

Aliás, para defender o fim da exploração e a igualdade entre os homens, o Papa Francisco não precisaria com certeza de recorrer ao marxismo. Que eu saiba, ele acredita n'Ele e em certas tradições bastantes mais antigas, que defendem precisamente isso há dois mil anos (pelo menos). Reduzir o marxismo e o comunismo a um mero impulso anti-exploratório e igualitário é não só mandar para as urtigas o século XX, como também uma simplificação radical do pensamento de Marx, que o próprio não merece.

 

O marxismo é uma doutrina materialista, que renega qualquer dimensão espiritual, que advoga a destruição violenta das classes sociais, e que sugere o caminho para lá chegar. Nós sabemos que os exercício práticos não correram, até hoje, particularmente bem. Portanto, tendo em conta a História, o legado de João Paulo II neste campo e a tradição da própria Igreja, esta ideia de transformar o marxismo numa doutrina inócua que se limita a combater os capitalistas maus e tem pena dos pobrezinhos só poder ser a versão Disney de O Capital.

 

Diz o leitor J. Viegas:

 

Todo este artigo se resume à última frase. Confundir inclusão com paternalismo irritante é uma marca característica das igrejas protestantes. E ajuda a explicar templos vazios e a expressão diminuta - ou nula - que têm na sociedade.


Suponho que esse seja mais um comentário para o Tiago Cavaco do que para mim. Mas talvez convenha precisar o que eu quero dizer com o excesso de inclusão poder descambar em paternalismo - é um tema que me interessa muito.

 

Qualquer pessoa que já tenha frequentado a Igreja (Católica) terá ouvido muitas vezes a propósito de ateus porreiros a seguinte frase: "Tu já encontraste Deus, só que ainda não sabes." A frase pode ter variações, mas anda sempre à volta desta ideia - e é esta ideia que eu considero profundamente paternalista. Porquê? Porque desmerece o outro, o seu trabalho intelectual e a fidelidade à sua própria consciência. Quem sou eu para dizer a uma pessoa que entende que Deus não existe que ela, na verdade, acredita em Deus só que não sabe? Por mais bem intencionada que seja a frase, ela é profundamente ofensiva.

 

Da mesma forma, um Papa dizer que não se sente ofendido por lhe chamarem marxista só é aceitável se ele não levar o marxismo a sério. Se o levar a sério (como João Paulo II, porque o sofreu na pele, levava), obviamente que não pode aceitar que o chamem marxista apenas porque conhece marxistas fixes e acha mal a opressão e a desigualdade. Tal como eu, por exemplo, não posso aceitar que me chamem fascista só porque sou de direita e acho que não devemos olhar para o Estado como se ele fosse o nosso papá. As palavras têm um significado e devem contar para alguma coisa.

 

Claro que eu não sou nada susceptível (modéstia à parte, é uma das minhas melhores qualidades), e acho excelente que o Papa também não seja. Mas o senhor Francisco tem grandes responsabilidades, e abrir tanto os braços ao ponto de lá caber tudo, incluindo marxistas e sabe-se lá mais o quê, só é possível se se verificar uma de duas hipóteses: ou o Papa não acredita a sério no que prega, ou então não acredita a sério nas convicções dos outros.

 

Na minha modesta opinião, nenhuma dessas atitudes se recomenda. E atenção: eu estou a gostar imenso deste Papa. Agora, que aquela frase em particular lhe saiu mal, saiu. Acontece. Tanto a marxistas como a católicos.

 

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O chumbo de Nuno Crato

por João Miguel Tavares, em 17.12.13

No meu texto de hoje no Público falo sobre a prova de avaliação dos docentes e no absurdo de Nuno Crato estar a gastar balas numa batalha injusta, quando ainda há tanta coisa para fazer. O texto pode ser encontrado aqui.

 

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O Papa pôs o pé na poça

por João Miguel Tavares, em 16.12.13

O Papa afirmou numa entrevista ao jornal italiano La Stampa que não se sente ofendido quando lhe chamam marxista, utilizando o seguinte argumento:

 

"A ideologia marxista está equivocada, mas na minha vida conheci muitos marxistas boas pessoas, por isso não me sinto ofendido."

 

Ora, no momento em que o Papa disse isto o Espírito Santo devia estar a almoçar, porque o argumento não tem pés na cabeça. Eu também conheço fascistas amáveis e negacionistas do Holocausto que usam admiravelmente os talheres à mesa e oferecem esmola no metro.

 

Dizer "eu não me sinto ofendido que me chamem marxista porque conheci bons marxistas" é admitir uma separação de planos entre acções individuais e crenças colectivas, que obviamente qualquer um de nós aceita no seu dia a dia (e ainda bem, em nome da tolerância), mas que quando se é Papa (e suponho que ele tenha dado a entrevista na condição de Papa) e pregador, e se defende a coincidência ética de uma coisa com a outra, não se pode fazer com a leveza de quem está a participar numa petiscada ideológica.

 

Quer dizer: pessoas boas e más, no termo estrito da sua acção no quotidiano, há em todo o lado, incluindo dentro da Igreja (muitas). Mas quando um Papa valoriza a falta de coincidência entre o carácter de um indivíduo e a ideologia que ele profere ("não me sinto ofendido"), está a desvalorizar um dos argumentos centrais de uma ética cristã, que é a necessidade de que aquilo em que acredito convergir com aquilo que eu faço.

 

O que Francisco disse foi: o marxismo está errado, mas há bons marxistas, logo não me ofendo que me chamem marxista.

 

Dentro desta lógica, por que não continuar?

 

O fascimo está errado, mas há bons fascistas, logo não me ofendo que me chamem fascista.

 

O islamismo está errado, mas há bons muçulmanos, logo não me ofendo que me chamem muçulmano.

 

O judaísmo está errado, mas há bons judeus, logo não me ofendo que me chamem judeu.

 

Esta economia mata, mas há bons capitalistas, não me ofendo que me chamem capitalista.

 

E por aí adiante.

 

O bom cristão prega a coincidência da sua fé com as suas acções, e à falta de coicidência entre uma coisa e outra chama pecado. Não é preciso ter frequentado a catequese para se saber que o pecado, para um cristão, é uma coisa séria.

 

Donde, convém que neste seu entusiasmo para abraçar toda a gente, Francisco não estique os braços até um ponto em que perca de vista aquele parte da doutrina cristã que fala do caminho, da verdade e da vida.

 

Até porque os marxistas dispensam bem a sua companhia, e o excesso de inclusão é apenas uma forma (bastante irritante, aliás) de paternalismo.

 

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120 ou 160 ou 400 ou 1000

por João Miguel Tavares, em 12.12.13

O meu texto de hoje no Público, fala sobre o ministro Aguiar-Branco, a Martifer e os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Aqui.

 

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