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Debunking the splendour

por João Miguel Tavares, em 10.11.13

Eu nunca tinha ouvido falar em Simon Leys - aliás, Pierre Ryckmans, belga de 78 anos que escreve em francês e em inglês, vive na Austrália com a sua mulher chinesa, e que já agora também é pai de quatro, como eu, além de católico - até ler um texto sobre ele de Ian Buruma na New York Review of Books, a propósito do lançamento da colectânea de ensaios The Hall of Uselessness.

 

Se este título lhe soa a alguma coisa que um monge budista lhe pudesse dizer ao ouvido, é porque é mesmo - Leys é um especialista em cultura chinesa, e o seu nom de plume foi mais uma necessidade do que outra coisa, quando no início dos anos 70 começou a bater nas orelhas do camarada Mao, e achou que era melhor não o fazer com o seu nome verdadeiro, se queria ter oportunidade de continuar a viajar para a China.

 

Mas aquilo que me interessou no texto de Buruma não foi a condição de sinólogo, mas sim esta passagem de uma troca de argumentos entre Leys e Christopher Hitchens a propósito do livro deste último sobre Madre Teresa de Calcutá, com o colorido e muito hitchenesco título The Missionary Position:

 

The most interesting thing was the anecdote related by Leys at the end of his account, about sitting in an Australian café minding his own business while a radio is blaring musical and spoken pap in the background. By chance, the program switched to a Mozart clarinet quintet, for a moment turning the café “into an antechamber of Paradise.” People fell silent, there were looks of bafflement, and then, “to the huge relief of all,” one customer “stood up, walked straight to the radio,” turned the knob to another station, and “restored at once the more congenial noises, which everyone could again comfortably ignore.”

 

Leys describes this event as a kind of epiphany. He is sure that philistinism does not result from the lack of knowledge. The customer who could not abide hearing Mozart’s music recognized its beauty. Indeed, he did what he did precisely for that reason. The desire to destroy beauty, according to Leys, applies not just to aesthetics but as much, if not more, to ethics: “The need to bring down to our own wretched level, to deface, to deride and debunk any splendour that is towering above us, is probably the saddest urge of human nature.”


The Hall of Uselessness chegou-me há pouco via Amazon e é um tijolo de quase 600 páginas que ainda não tive oportunidade de ler. Mas basta-me esta última frase para saber por antecipação que vou gostar dele.



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