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Como assim, Miguel?

por João Miguel Tavares, em 01.12.13

Já se sabe que muita gente do mundo literato não é grande apreciadora de Miguel Sousa Tavares, por vezes até por razões injustas, mas ele às vezes facilita bastante a vida aos seus críticos. Veja-se o caso de uma resposta como esta, que encontrei numa entrevista sua à revista Somos Livros, do grupo Bertrand:

 

Permita-nos a indiscrição: que livros tem gostado de ler ultimamente?

Em tudo o resto, foi um Verão glorioso, mas, na leitura, foi um Verão desgraçado: não li nada que me enchesse as medidas e levei 12 livros de férias. Veio o Outono e continuei na mesma: livro começado, livro arrumado. Hoje mesmo, gastei uma hora numa livraria e saí de lá... com um caderno de apontamentos.

 

Ora bem, se em relação aos livros que levou para férias, e não sabendo nós quais são, podemos apenas supor que Miguel Sousa Tavares foi vítima de um grande azar ou de alguma falta de senso na hora de escolher, em relação à última frase sobre ter gasto "uma hora numa livraria" e o melhor que por lá encontrou ter sido "um caderno de apontamentos", das duas, uma: ou ele frequenta péssimas livrarias ou tem o gosto literário mais bizarro da história da leitura.

 

É que pode apontar-se muita coisa ao meio editorial português, mas as livrarias estão inundadas de livros para todos os gostos: de clássicos indiscutíveis (em novas edições e muitas vezes com novas traduções) até excelentes novidades, até porque pequenas editoras com um catálogo invejável continuam, felizmente, a existir. Há livros para todos - mas mesmo todos - os gostos.

 

Por isso, Miguel Sousa Tavares tem de ter mais cuidado com os seus tiques apocalípticos. O país está uma desgraça, sim, mas o que não falta nas livrarias, graças a Deus, são livros do caraças para nos consolar um pouco. Que ninguém nos queira tirar isso.



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10 comentários

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De Pedro VF Ferreira a 02.12.2013 às 13:56

A arrogância extrema, e usual de MST. O que queria dizer, é: "Nada existe melhor do que aquilo que vou escrever no meu livro de apontamentos."
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De Nuno Amado a 01.12.2013 às 21:20

Não tem problema... pode sempre virar-se para a Banda Desenhada, onde existirão muitos livros que lhe encherão as medidas!
(Isto não foi uma ironia...)
:P

Abraço
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De João Miguel Tavares a 02.12.2013 às 11:38

Ainda bem, Nuno Amado, que eu adoro banda desenhada :-)
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De André Matos a 01.12.2013 às 19:53

Dizem as más línguas que o motivo porque ele trouxe apenas um caderno com...

Deixa-me estar calado que ele ainda me precessa
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De ricardo a 01.12.2013 às 16:42

100 livros por ano e só 3 lhe encheram as medidas? algo vai mal nas suas escolhas, digo eu
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De Anónimo a 01.12.2013 às 23:36

Talvez o problema seja mesmo das minhas escolhas. Não contesto isso.
Porque é que o Ricardo não me sugere uns 10 livros realmente bons, realmente marcantes? Talvez eu não tenha lido nenhum deles e até ao final do ano consiga ler mais uns 5 ou 8...
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De Vítor Augusto a 03.12.2013 às 10:02

Para quem diz que lê 100 livros num ano, admira-me que até consiga gostar de 3.
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De Anónimo a 01.12.2013 às 16:20

Concordo com o comentário anterior. Miguel Sousa Tavares já tem 60 anos: ou seja, uns 50 anos a ler (sendo que, como nasceu numa casa de intelectuais, com uma mãe escritora, terá tido acesso a boa literatura desde muito cedo e em grande quantidade) e duvido que tivesse que fazer contas à mesada para comprar livros de autores recentes na adolescência. Não tive a educação literária de base que Miguel Sousa Tavares teve e tinha que esperar que a biblioteca municipal da terra onde cresci comprasse os livros (o que muitas vezes não acontecia) para ter que os ler. Cheguei à vida adulta com muito mais bons livros já publicados "em atraso" do que Miguel Sousa Tavares (até porque nasci 30 anos depois) mas, mesmo assim, de todos os livros que li este ano (e leio cerca de 100 por ano), apenas três me encheram verdadeiramente as medidas: um deles era um clássico do século XIX, outro de um autor português publicado postumamente em 1979, e o outro era recente, publicado em 2010. Provavelmente, Miguel Sousa Tavares já tinha o tal clássico na estante lá de casa quando nasceu e talvez tratasse o Jorge de Sena por "tio"... não tenho dúvidas de que encontrará muito menos livros interessantes ainda por ler à venda nas livrarias do que eu.
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De Nelson Reprezas a 01.12.2013 às 14:34

«...É que pode apontar-se muita coisa ao meio editorial português, mas as livrarias estão inundadas de livros para todos os gostos: de clássicos indiscutíveis (em novas edições e muitas vezes com novas traduções) até excelentes novidades...»

Há aqui uma imprecisão, João Miguel Tavares. O Miguel veio só com um caderno de apontamentos não porque não houvesse dúzias de obras interessantes, mas sim porque já os leu todos... você é que não percebeu, João!
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De Joao a 01.12.2013 às 21:23

Precisamente aquilo que pensei.

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